“Nova Democracia” de Salomão Muchanga tem como meta governar o país

Com o lema “é a vez do povo”

 

Lançado na capital do país, semana finda, o novo partido político que identifica-se como um movimento social, denominado Nova Democracia (ND), tem como objectivo assumir a maioria dos assentos na Assembleia da República e nas assembleias provinciais, mas a sua meta é governar o país. O mesmo tem como um dos principais rostos Salomão Muchanga, um conhecido líder de movimentos juvenis e defensor de causas dos excluídos, que no ano passado deixou a presidência do Parlamento Juvenil para os mais novos.

Texto: Reginaldo Tchambule

 “Agora é a vez do povo”, foi assim como identificaram-se os membros e simpatizantes do novo partido que acorreram em massa ao local do lançamento, onde, para além de manifestarem apoio ao recém-criado partido e a Salomão Muchanga, partilharam a sua indignação com o rumo da governação do país.

É, na verdade, um movimento maioritariamente constituído por jovens, implantado em todo o país, segundo deu a conhecer o seu líder. A Nova Democracia encontra-se, neste momento, a preparar a sua inscrição junto aos órgãos eleitorais, com vista à sua participação nas eleições de Outubro próximo.

“A meta da Nova Democracia é governar Moçambique. Este não é um movimento sazonal ou de entretenimento político. Somos um acto político da juventude, da sociedade, das mulheres e de todos os excluídos”, afirmou Salomão Muchanga, para quem a meta para as eleições de Outubro próximo é conquistar o maior número de assentos na Assembleia da República e nas assembleias provinciais e, quiçá, em casos extraordinários, governar o país.

Segundo Muchanga, aquele movimento nasce do esgotamento dos moçambicanos pelas políticas públicas não inclusivas e por um regime arrogante e insensível aos problemas do povo, que se perpetua através de fraude eleitoral, que se repete eleição após eleição, incluindo em 2018.

“O nosso combate é a favor do jovem com sonhos, da mulher batalhadora, do funcionário público, do estudante, do professor, do polícia, do desportista, do artista, do agricultor, do jornalista, do comerciante, do profissional de saúde, enfim, do cidadão”, assegurou Muchanga.

A Nova Democracia assume-se como um movimento de cidadãos de esperança que querem construir a dignidade dos moçambicanos, edificar a tolerância e resgatar Moçambique de um regime arrogante e insensível aos problemas do povo, que se perpetua através da fraude eleitoral e que em 50 anos extirpou o Estado de Direito.

Aquele partido diz representar as aspirações dos jovens, que apesar de serem mais de 60 por cento da população, assistem impotentes à clientelização de oportunidades, o regimentar da corrupção e a crescente violação da lei-mãe, protagonizada criminosamente por titulares de órgãos públicos, caso evidenciado na contratação ilegal de dívidas em nome do Estado, hipotecando o sonho e o futuro desta e de gerações vindouras.

“Estamos inconformados com o escamotear de direitos económicos e sociais, quando o povo é transportado em ‘negreiros’ de quatro rodas, vulgo ‘my love’, num cenário em que a água segura e potável rareia, a energia eléctrica é cada vez mais cara, a qualidade do ensino é fraquíssima, o desemprego é generalizado, a habitação é por xitique, o acesso dos jovens ao crédito é dificílimo e a agricultura é relegada a um plano terciário”, sustenta.

Igualmente, aquele partido, cujo objectivo central é a conquista de assentos na Assembleia da República, diz-se revoltado com o actual esquema no Parlamento, que é marcado pela paralisia da excessiva disciplina partidária, o que faz com que não tenha iniciativas de leis nem de políticas.

“Estamos agastados com os contínuos acordos de quarto entre partidos com assento no Parlamento, que revelam uma gravosa incompetência legislativa, ao aprovar dispositivos que lhes são impostos”, sublinhou Muchanga.

Símbolo da Nova Democracia

80 por cento dos lugares para jovens abaixo de 35 anos

Ao Dossiers & Factos, Salomão Muchanga revelou que aquele partido irá priorizar a juventude nos seus programas políticos a vários níveis e, como tal, na composição das listas de candidatos a membros da Assembleia da República, assembleias provinciais e cabeças de lista a governador, os jovens serão a maioria.

Segundo ele, as listas serão compostas por uma maioria de 80 por cento de jovens de 21 até 35 anos, e os restantes lugares serão preenchidos por membros de outras faixas etárias, como forma de empoderar aquela camada social, que, apesar de ser a maioria, é relegada ao esquecimento.

“O jovem não deve ser apenas um elogio demográfico”, referiu Muchanga, assegurando que as referidas listas serão sufragadas nas próximas semanas, naquele que será o  primeiro congresso daquele partido, que se diz ter dimensão nacional e aceitação em todas as faixas etárias no país todo.

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