“Nyusi vendeu-nos um projecto podre”

“Foi empurrado ao cargo de Presidente da República para encobrir camaradas

 

Bastante crítico ao sistema, o polémico músico de intervenção social, com bastante aceitação, principalmente na zona sul do país, Refiller Boy avalia negativamente o desempenho do Presidente da República, Filipe Nyusi, e diz sentir-se enganado, pois, no seu entender, “o Chefe do Estado vendeu-nos uma ilusão que se transformou num projecto podre”. Segundo ele, o PR foi empurrado para o Governo com o intuito de encobrir os agentes das dívidas ocultas, numa lista da qual também faz parte.

Recorrendo às várias promessas feitas por Filipe Nyusi, enquanto candidato da Frelimo, em 2013, o músico, que também é candidato a deputado da Assembleia da República pela Nova Democracia, deixou duras críticas à actual governação.

“Não há pior coisa que uma secretária do lar chegar à sua casa, aliás, hoje em dia, para contratarmos uma secretária, pedimos currículo, para saber a sua origem, e a pessoa apresenta um currículo bonito, para, já no terreno, apresentar um trabalho podre. É aquilo que notamos do Governo actual”, disse em forma de analogia.

Segundo o polémico músico, Nyusi apareceu com discursos bonitos, nos quais destacava que o povo era o seu patrão e que o seu Governo seria de inclusão, mas, no entender de Refiller Boy, não passou de uma “conversa para o boi dormir”, pois o empregado vive melhor que o seu patrão.

“Que o povo é o seu patrão nunca vimos até hoje. Se esse discurso fosse realmente verdadeiro, não faria sentido que o empregado vivesse melhor que o seu patrão. O patrão deve ouvir os seus empregados, quando estes clamam pela liberdade, clamam pela dor do cinto apertado, que é o nível do custo de vida”, sublinhou.

Para este, dadas as circunstâncias, o discurso de Filipe Nyusi não passou de um chavão, pois, em termos materiais, boa parte do que ele prometeu está longe de ser concretizada.

“Esses não são os nossos representantes, estão contra o nosso desenvolvimento e este Governo é contra o desenvolvimento do cidadão. Um país quando pretende desenvolver, numa primeira fase, não pode correr para subir os preços de produtos de primeira necessidade, mas sim criar condições para que a  agricultura seja o pólo de desenvolvimento”, referiu.

“Se o Governo faz de tudo para que não se pratique agricultura neste país, com o intuito de importar comida de fora para tirar proveito dos impostos, esse governo automaticamente é contra o desenvolvimento. Os nossos governantes apenas olham para eles e suas famílias, como os legítimos merecedores de uma vida melhor.

“Nyusi caiu de pára-quedas naquele cargo”

O interventivo músico considera que Filipe Nyusi, candidato da Frelimo à sua própria sucessão, foi empurrado ao cargo de Presidente da República para encobrir os “lesa-pátrias” que contraíram as dívidas ocultas, que empurraram o país para uma crise sem precedentes.

“Um bom observador percebe facilmente que o Presidente da República é alguém que caiu de pára-quedas no Governo, não é alguém que chegou lá por mérito. Ele foi empurrado para o Governo, com o intuito de encobrir os agentes das dívidas ocultas, numa lista da qual também faz parte. Se é o indivíduo Q, é porque fez parte, pois, naquela altura, era o ministro da Defesa, então significa que ele também está dentro”, refere.

Para ele, a detenção de alguns agentes ligados às dívidas ocultas não passa de uma “palhaçada”, pois só acontece depois de a Justiça norte-americana, através da Interpol, ter colocado a mão em Manuel Chang, numa altura que estamos nas vésperas da campanha.

“Eu considero isso como pré-campanha eleitoral, já que o povo apenas vê as coisas acontecerem e esquece de onde começaram, mas isso pode sair caro ao povo, caso não saiba definir o seu futuro. Não vamos fazer jogo político como se de uma casa banho se tratasse . Portanto, o povo precisa saber fazer escolhas melhores, alguém que poderá representá-lo e não alguém que está lá para gerir os seus negócios”, defende.

É que, no seu entender, nos últimos anos, assistimos a pessoas que entram no Governo com o intuito de dirigir os seus negócios à vontade. “Em países normais e com leis que funcionam, isso não acontece. Um ministro ou agente do Estado não pode ter negócios com o próprio Estado, porque ele acaba invertendo tudo a seu favor. Não há transparência, ao cidadão não são apresentadas as contas quando, na verdade, deveria saber o que está parado e o que está a andar no país.

Num outro desenvolvimento, Refiller Boy apontou os canos para os partidos da oposição, principalmente os dois grandes, com assento parlamentar, Renamo e MDM, os quais, no seu entender, vivem de acordos clandestinos com o Governo, pois o seu real interesse não é defender o povo ou um dia assaltar o poder, mas sim manter-se na oposição, para garantir que alguns deles também encham as suas barrigas.

“Olha, a nossa oposição não tem interesse em governar este país, quer apenas manter-se como oposição, não critica, não faz nada, e no fim do dia compactua com os dilapidadores da pátria”, criticou.

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