O azar de ser primeiro a morrer de coronavírus oficialmente

Texto de Serôdio Towo

Triste foi a notícia do anúncio feito pela directora nacional de Saúde Pública, Rosa Marlene, na tarde de ontem (segunda-feira), dando conta do registo oficial do primeiro óbito vítima do coronavírus em Moçambique.

O mais preocupante ainda foi o facto de a tal vítima ser uma pobre criança, de apenas 13 anos de idade, uma pessoa que, devido ao seu tempo de vida neste mundo, me arrisco a afirmar que ainda não tinha tantos pecados neste planeta terra, dominado por actos cruéis, falta de amor ao próximo, etc.

Coitado do menino! Partiste porque, de certeza, Deus assim o quis, e deixaste para trás um peso de consciência para um país, ou uma sociedade onde pessoas muito mais adultas que tu ainda não encaram esta doença, que infelizmente acabou te tirando a vida, como séria e perigosa.

Lamentavelmente, foste “eleito pelo Pai Todo-Poderoso” para que fosses a amostra do que a sociedade poderá passar doravante, dando, deste modo o término da tua curta/merecida missão aqui na terra, o que equivale dizer que tiveste a missão cumprida.

A missão terminou, sim, pese embora não tenha terminado como outras crianças, que por causa de várias injustiças e, quem sabe, por falta de cuidado de nós os pais, ou mesmo pelo destino final de todos nós, partiram deste mundo e tiveram a melhor despedida de amigos, colegas de escola, vizinhos e seus professores.

Tu partiste e não tiveste tudo isso. Não terás o enterro que devias ter: os teus colegas de turma ou de escola, aqueles que seguramente jogavam a bola contigo, brincavam juntos à cabra-cega e outras brincadeiras, aqueles com quem apostavas as melhores notas na escola, aqueles que eventualmente partilhavam contigo o lanche, na esperança de um dia crescerem e ser felizes, não poderão fazer o último adeus a si, devido às imposições do Decreto 11/2020, que também faz menção ao número de pessoas que devem participar em cerimónias fúnebres nesta fase em que o país observa o estado de emergência.

Vá em paz menino! De certeza não foste tu a ir ao encontro dessa maldita  doença fatal , ela é que foi até ti. Nós os adultos, mesmo que não assumamos, deixamos a ti e a outras crianças como tu propensas a essa pandemia e a outros males.

Enfim, à família enlutada, aos pequenos amigos e colegas do malogrado, apresento as minhas sentidas condolências pelo desaparecimento físico deste pequeno servo de Deus.

Descanse em Paz!      

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