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Editorial

O estranho desaparecimento de Caifadine Manasse

Enquanto observadores atentos à vida política, económica, social e cultural do país, não conseguimos ficar indiferentes a um facto no mínimo estranho. O porta-voz do partido Frelimo, Caifadine Manasse, anda “desaparecido”. Na sua qualidade de porta-voz, Caifadine Manasse habitualmente tem sido a figura que transporta o pensamento da Frelimo sobre várias matérias cá para fora, mas, de há uns meses a esta parte, o homem praticamente sumiu do espaço público. Não se sabe se por vontade própria ou por orientações superiores, mas a verdade é que Manasse já não é assim tão presente na imprensa, como nos tinha habituado. O seu lugar parece ter sido “tomado” pelo Secretário-geral, Roque Silva, que vai ampliando a sua presença no espaço mediático. Tem sido o número dois da Frelimo a dar voz à organização em diversos momentos importantes da vida do país. Foi assim na reunião nacional dos municípios sobre égide da Frelimo, em Chimoio, Manica, e foi assim, mais recentemente, no contexto do desaparecimento físico de Sérgio Vieira, uma figura icónica do partido no poder e da Nação moçambicana, só para citar alguns exemplos. De Caifadine Manasse, que habituou-nos a dar o corpo às balas em defesa do partido e, sobretudo, do seu presidente, Filipe Jacinto Nyusi, pouco ou quase nada se tem visto, não se sabendo ao certo as razões. O que é certo é que a situação está a preocupar alguns membros d o partido , e ressuscita um problema que o Dossiers & Factos teve oportunidade de abordar no primeiro semestre deste ano, e que parece não estar totalmente resolvido: a falta de união no secretariado do Comité Central. Escrevemos aqui que factores tais como tribalismo e regionalismo tinham originado dois grupos quase que antagónicos naquele órgão, que tinham no secretário-geral e portavoz os seus principais rostos. É realmente triste que esta situação prevaleça numa organização mais do que cinquentenária, como é a Frelimo . Isto prejudica o funcionamento do Comité Central, que é o órgão mais importante no intervalo entre os congressos. Por tabela, prejudica o próprio país, uma vez que é a Frelimo quem conduz os destinos da Nação moçambicana. Pode se dizer que o cenário opõese aos ideais do próprio partido, que sempre construiu e disseminou a narrativa da unidade nacional, à luz da qual todos os moçambicanos, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, são iguais. Representa, também, um sinal da deterioração dos canais internos de diálogo. Ao longo da sua rica história, a Frelimo teve vários problemas graves, mas sempre os resolveu com grande maturidade e sem grandes alaridos. Essa característica, única na arena política nacional, pode estar a perder-se, o que revela que, provavelmente, o partido do “batuque e maçaroca” estará a ressentir-se da morte ou envelhecimento de muitos históricos que eram a personificação da ideologia do partido. É certo que há muitos vivos com a mesma qualidade, mas há muito deixaram de se fazer ouvir na sociedade. Esta seria a altura de esses consagrados membros lembrarem aseus pares que os problemas devem ser resolvidos com maturidade e, de preferência, longe dos holofotes – e nunca na imprensa ou nas redes sociais. Deviam os mesmos alertar para o risco que se corre de se abrir a porta da casa ao “diabo”, que obviamente aproveita-se dos momentos de discórdia entre irmãos para agir no seu vil interesse. A Frelimo outorga-se o estatuto de “guia do povo moçambicano”. Pois devia saber que, como guia, está obrigada – mais do que todos os outros partidos – a transmitir bons exemplos. É o custo da grandeza e não há volta a dar. Ninguém pode á guiar exemplarmente os outros enquanto não estiver bem consigo mesmo. Nesse sentido, exortamos os camaradas a dialogarem de forma franca e aberta, a desfazerem-se do tribalismo e regionalismo que tendem a ganhar espaço no seio do partido a todos os níveis, a não deixarem que as divergências os desviem do seu grande objectivo, que julgamos ser a melhoria de condições de vida de todos os moçambicanos. É difícil e inacreditável ouvir dizer, por exemplo, que o SG do partido não se relaciona e nem se comunica bem com o Secretário Para Mobilização e Propaganda; que o Presidente do partido tem encontros em separado e de preferência com este ou aquele membro do secretariado. A verdade é que problemas do género acontecem e a Frelimo não é organização de dumba-nengue, precisa solucionar estes casos.

serodiotouo@gmail.com | Editorial da Edição 446 jornal Dossiers & Factos

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