Oh Na Na, Ratifo!

 

Talvez nunca tenhamos estado tão perto de “domar” os “leões” como hoje. Perante os cinco mil privilegiados que estiveram no Estádio Nacional do Zimpeto, Moçambique teve mais oportunidades flagrantes que os próprios Camarões, mas não conseguiu marcar. À masterclass de Kambala e Luís Miquissone, Ratifo respondeu com uma exibição, a todos os níveis, desastrosa.

As oito baixas de última hora – seleccionador, um elemento da equipa médica e seis jogadores testaram positivo para covid-19 – afectaram, sobretudo, o sector mais recuado da selecção nacional. Sem Zainadine Jr, Chico, Reinildo ou Mexer, Luís Gonçalves foi obrigado a mexer na defesa. Kamo-Kamo e Sidique ocuparam as laterais. No eixo central, Salomão e Jeitoso, mas nem isso impediu que a selecção se pusesse a jeito logo no início da partida. Não estava jogado o primeiro minuto quando Aboubakar apareceu nas costas da defesa para pregar-nos um susto madrugador. O capitão ajeitou-se, mas cabeceou sem jeito, para o alívio dos Mambas.

Talvez por conta do susto, Moçambique passou os minutos seguintes a ‘livrar-se’ da bola. Perante a pressão subida dos Camarões (ora em 1+4 ora em 2+4), os Mambas optavam por lançamentos longos, com a bola a ser ganha, invariavelmente, pelos possantes camaroneses. Mas esse período durou pouco tempo, pois o combinado nacional percebeu rápido que só com a bola no pé estaria mais perto do sucesso. Assim, a partir do minuto 10’, Moçambique passou a construir de trás para frente. Dominguês e Nené apareciam frequentemente atrás da primeira linha de pressão dos leões indomáveis, facilitando a chegada ao meio-campo adversário. Nota, igualmente, para Reginaldo, que baixava frequentemente para jogar em apoio, enquanto Luís Miquissone e Ratifo (não foi feliz) procuravam desequilibrar pelos corredores.

Nesse registo, os Mambas conseguiram ‘mandar’ no jogo, ainda assim, sem criar quaisquer ocasiões para marcar, muito por culpa da falta de paciência e discernimento em zonas de criação. Oportunidade só aos 21 minutos, e que oportunidade! Miquissone é derrubado na área e, sem pestanejar, o árbitro assinala penáltie. Chamado a cobrar, Reginaldo, ciente de que, a este nível, é proibido falhar, não falhou. Acertou no poste, quando Onana já se tinha lançado para o lado oposto.

O avançado moçambicano não penalizou o adversário e, pouco depois (25’), viu a selecção ser penalizada por Aboubakar, aproveitando a passividade da defesa moçambicana. Até ao intervalo, Moçambique continuou a jogar em ataque posicional, quesito no qual podia ter sido melhor se tivesse centrais confortáveis com bola e, por isso, capazes de progredir em posse.  

Na segunda parte, a selecção nacional voltou diferente, com Ratifo a jogar em zonas interiores e Reginaldo (e às vezes Dominguês) a derivar para esquerda. A aposta revelou-se assertiva, pois permitiu que o avançado que actua na Alemanha, a jogar de costas voltadas, fosse mais interventivo, propiciando, assim, aproximações dos médios.

Também fruto desta nova disposição, Moçambique começou a criar muito perigo junto a baliza de Onana. Aos 57, Luís Miquissone, que minutos antes tinha definido mal um lance promissor, ofereceu um golo a Ratifo, mas este ‘recusou’ o brinde. Aos 73, com os Mambas já a perderem por 2-0, Stanley Ratifo volta a falhar de baliza escancarada, numa recarga após um tremendo remate de Luís Miquissone. Até ao fim, Moçambique ainda dispôs de mais uma oportunidade, através de Dominguês. Mal servido por Sidique, o capitão atirou por cima.

Numa noite em que Kambala (irrepreensível defensivamente), Luís Miquissone e Kamo-Kamo fizeram exibições notáveis, fica na retina o desacerto na finalização. A noite promete ser de pesadelos para Reginaldo, que falhou penáltie, mas sobretudo para Ratifo, que protagonizou dois falhanços dignos de memes.  

Amad Canda

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