Onde se vacinou Nyusi?

Está em curso a campanha massiva de vacinação com vista a imunização da maioria da população moçambicana. A louvável iniciativa é reconhecidamente do executivo liderado por Filipe Jacinto Nyusi.

Ora, este processo acontece depois de vários episódios e comentários menos abonatórios sobre as vacinas terem sido feitos em diferentes países, sobretudo nos chamados países desenvolvidos. Recorda-se, por exemplo, que durante longo período foi destaque em diferentes órgãos de comunicação social, e em quase todo o planeta, que a vacina y e z criavam este e aquele efeito negativo. Foi igualmente notícia de destaque a morte de tantas pessoas por supostos efeitos colaterais das referidas vacinas.

Estes e outros comentários negativos sobre a vacina contra a Covid-19 fazem, até ao momento, que muita gente, e aqui não interessa o nível de escolaridade e condições de vida, desconfie da eficácia destas vacinas. Esta situação não acontece apenas aqui no nosso país e, como dissemos, envolve muita gente, que pode não estar a aderir a esta campanha que custou-nos muito dinheiro, segundo reconheceu o Chefe de Estado e do Governo.

Ora, em vários países, a toma da vacina passou a ser obrigatória, tal como o uso das máscaras. Cada Estado usou a sua política para obrigar os seus concidadãos a tomarem a vacina. É verdade que alguns parecem não estar muito interessados…

Em Moçambique, ao que tudo indica, e pelo que já se propala, nos próximos tempos, exibir o cartão de vacinação, ou seja, comprovar que foi vacinado, poderá ser obrigatório para ter acesso à alguns serviços básicos.

Bom, seja como for, acontecendo isso ou não, o esforço que o Estado e Governo moçambicano estão a empreender para a compra e distribuição das vacinas é bastante sério. Esses desafios mostram que a problemática da Covid-19 tornou-se uma das agendas principais do executivo, ao ponto de quase todos os recursos financeiros serem desviados para a área da Saúde, isso se excluirmos a Defesa, claro.

Assim sendo, e olhando para estes e outros factores, julgamos que seria imperioso um exercício demonstrativo por parte dos nossos governantes na toma da vacina. Isso, sem sombras de dúvidas, ajudaria significativamente na campanha de sensibilização às comunidades sobre a importância da toma dos imunizantes.

Em outros países, até vizinhos, os presidentes apareceram publicamente a tomar a vacina, como exemplo. Aqui em Moçambique, ao que vimos, apenas o ministro da Saúde, Armindo Tiago, apareceu em público a apanhar a vacina, ficando a sensação de que este propósito é apenas do seu ministério. Aliás, se perguntar nem sempre ofende, quando é que o Presidente da República, o Primeiro-ministro, a Presidente da Assembleia da República, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre outros membros do Governo e de outras instituições de soberania tomaram a vacina?

Ou tomaram ou não tomaram. Se tomaram, fica a sensação de terem sido “espertos”, de o terem feito antes do povo se beneficiar e muito antes de se saber se a maioria da população teria acesso ou não. E se assim foi, é de condenar essa atitude.

Se não tomaram, também é negativa esta atitude. Nós tomamos na Direcção Provincial de Saúde de Maputo, e por sinal completamos as duas doses orientadas pelas autoridades sanitárias. Esperamos que não haja mal entendidos. Esta nossa reflexão não vem por acaso, é resultado de muita observação daquilo que são as atitudes dos nossos governantes na maioria das ocasiões.

Esta (vacinação) talvez seja uma agenda de extrema importância quando comparada a um processo eleitoral, em que os assessores de imprensa procuram os órgãos de comunicação para saberem e filmarem a figura A ou Z a exercer o seu direito de votar.

Há que reflectir bastante nesta matéria. O PR devia ter feito este tipo de exercício, e devia ter exortado os seus representantes, a todos os níveis, a seguirem o exemplo. Devia ter enviado às províncias brigadas do Conselho de Ministros para darem o pontapé de saída, os secretários de Estado, os governadores provinciais. Os presidentes dos Conselhos Municipais tinham também, no nosso entender, a obrigação ou dever cívico de mostrar o exemplo para fortalecer a importância deste processo.

São, no nosso entender, pequenos detalhes que podem prejudicar um processo tão importante quanto este. Senhor Presidente, Excia: a campanha de vacinação contra a Covid-19 revela-se, para nós, mais importante que uma inauguração de um balcão do BCI em Namacura, inauguração de uma delegação do INSS em Zumbo, inauguração da fábrica de mechas ou outras realizações de campanhas políticas e governamentais, porque só podem ser usadas tais infraestruturas por pessoas vivas, e não por mortos.

Esta campanha de vacinação tem, para nós, um impacto maior quando comparado às diferentes inaugurações que são até transmitidas em directo nas diferentes estações televisivas e radiofónicas. Assim sendo, ficam as dúvidas, podendo se concluir que Sua Excelência Senhor Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, e sua máquina governativa, não foram exemplares no processo de vacinação. serodiotouo@gmail.com

Mais  Destaques

error: Conteudo protegido!!
Scroll to top
Skip to content