Padrinho recusa-se a pagar lua-de-mel aos afilhados por serem indisciplinados (FIM)

Na edição passada, iniciámos a “História de Vida” que fala da desorganização de afilhados/ noivos na organização do seu próprio matrimónio, o que criou embaraços e danos – financeiros e reputacionais – aos padrinhos.
Dissemos que mudaram a hora e o local onde tinham previamente avisado que ocorreria a cerimónia da assinatura oficial do casamento. Também fizemos referência ao facto de, nas mesas para os seus convidados, não haver garrafas de champanhe, quando tinham garantido aos padrinhos que esta componente estava assegurada.
Os padrinhos procuraram formas e solucionaram todos estes constrangimentos. No entanto, a cerimónia do dia seguinte (domingo) estava também marcada para um salão, algures no bairro das Mahotas, no município de Maputo. Para este dia, estavam convidadas cerca de 300 pessoas, na sua maioria familiares que, no entanto, não tinham feito parte da cerimónia do dia anterior.

Aqui, quer as bebidas quer as comidas estavam no ponto. Como se diz, estava tudo a postos para se “gruvar”, com boa música e “garfar” da melhor gastronomia. Como é óbvio, e assim mandam as boas regras, primeiro chegam ao salão os convidados e só mais tarde é que são chamados os noivos, para que, em grande estilo, sejam recebidos pelos mirones.
14:00 era a hora marcada para o início do evento e lá chegaram os noivos, quando passavam 15 minutos das 14:00, portanto, com um ligeiro atraso. Os curiosos aperceberam-se da chegada da luxuosa Mercedes Benz que transportava as estrelas do dia. Os padrinhos fizeram-se à sala para o habitual reconhecimento do lugar e das condições. Enquanto isso, os noivos permaneciam ainda no interior da viatura.

Carambas! Afinal, mais um episódio para envergonhar estava à vista. A dona do salão mandou trancar o portão principal, para que a viatura dos noivos não pudesse entrar, e, em simultâneo, mandou trancar as portas do salão para que nenhum dos convidados pudesse abandonar o local. Os noivos também não podiam sair do carro, muito menos entrar no salão.

A razão para esta vergonhosa atitude é que os noivos não haviam pago o dinheiro para o arrendamento do salão. Epah, coitados dos padrinhos, que, ao se aperceberem da situação, tentaram, em vão, negociar com a dona do estabelecimento, que não quis ceder ao seu papo. Afinal de contas, eram 80.000, 00 MT (oitenta mil meticais) que deviam ser pagos.

Na sua carteira, depois das despesas inesperadas do dia anterior, o padrinho quase que não tinha nenhum dinheiro. Ainda tentou convencer a dona da casa para que ficasse com as chaves do carro Mercedes-Benz como penhora até ao dia seguinte, altura em que este iria pagar o valor em causa,  mas a senhora não queria nada disso.

Com o passar do tempo, os convidados foram se apercebendo da situação, e a vergonha alheia foi tomando conta deles. O padrinho mandou a madrinha mexer com os pauzinhos nas contas bancárias, nas ATMs, e lá vieram cerca de 30 mil meticais, valor entretanto incipiente para uma despesa de 80 mil meticais.
Já sem nenhuma saída, o padrinho mandou chamar todos os irmãos e primos do noivo para que cada um pudesse contribuir. Na verdade, não foi fácil, uma vez que todos haviam antes contribuído para ajudar na realização da cerimónia de casamento. Das contribuições feitas naquele instante resultaram 27 mil meticais.
Assim sendo, a dona do salão aceitou receber aquela parte e, por conta do valor que faltava, ficou com a viatura Mercedes. Só assim abriu as portas, quando já passava das 17:00 horas, com toda a gente a reclamar de fome e desconforto. Dia seguinte, os padrinhos foram liquidar a dívida e levantaram o carro.

Foi mais ou menos isto o que aconteceu no casamento de Serôdio e Helena. Ora, importa referir que todos os presentes oferecidos a eles pelos convidados foram depositados na casa da mãe do noivo, porque eles nem sequer tinham casa própria, não tinham nem televisor. Um caso para dizer que são jovens desorganizados e que desorganizaram também os padrinhos.
Insatisfeito com tudo quanto passou, e em jeito de castigo, o padrinho mandou cancelar a reserva que havia feito para a lua-de-mel dos seus afilhados, que teria lugar na cidade sul-africana de Cape Town.

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