Palma: Um distrito envolto em lágrimas

 

Texto de Serôdio, em Palma

A situação de guerra em Cabo Delgado assume níveis cada vez mais assustadores.

Relatos colhidos pela nossa reportagem em Palma expõem a realidade que é mais cruel do que a maioria dos moçambicanos pode imaginar.

 A população está desesperada e vive com o medo da morte, que está sempre iminente.

Devido ao clima de insegurança, muitas pessoas equacionam abandonar o distrito. Este era o plano de Josina Manbonda, jovem de 28 anos, que pretendia fugir com a família (seus pais), para fixar residência em Mueda, mas, um ataque dos insurgentes acabaria por estragar tudo.

 “Perdi minha mãe e meu padrasto”, conta Josina, e, com voz trémula, prossegue: “Foi no mato de Pundanhara onde tudo aconteceu. Ligamos para os meus pais e os telefones não chamavam. Depois ficamos a saber que houve ataque e pedimos as forças para nos acompanharem, chegamos e os corpos já tinham sido enterrados em valas comuns. Minha mãe ia ver casa para comprar em Mueda”, detalhou.

Também em Palma, encontramos Saiful Islam, jovem de 23 anos de idade que saiu de Bangladesh há sensivelmente dois anos, em busca de melhores condições de vida e encontrou abrigo na vila sede do distrito de Palma, onde juntamente com o irmão, desenvolvia actividade comercial.

 Mas, a esta altura, já pensa em sair, para evitar que lhe aconteça a si o mesmo que aconteceu ao irmão, recentemente assassinado pelos terroristas.

Islam conta que o seu irmão, que por sinal  era mais velho e que já residia em Palma há cerca de seis anos, “saiu no dia 12 para tratar documentos em Pemba”.

 Três dias passaram sem dar nenhum sinal e o telefone não chamava. Preocupado, o comerciante mandou um trabalhador seu para que fosse averiguar a situação. E confirmou-se o pior. O carro da migração que levava o irmão de Islam e outras pessoas tinha sido atacado pelos insurgentes. “O trabalhador que foi mandado para ver se das vítimas do ataque estaria lá o corpo do irmão fotografou uma cabeça decepada e enviou ao jovem e este confirmou que era o irmão”, conta um amigo de Islam.

Perante a situação, o agente económico não esconde o desejo de abandonar Palma. A verdade é que ainda não se recompôs do terror que atravessa com a morte macabra do irmão e, talvez por isso, ainda não faz ideia de qual poderá ser seu próximo destino.

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