Para a reintegração dos guerrilheiros: UE garante financiamento de 60 milhões de euros

 

A União Europeia quer fazer parte deste processo de cessação das hostilidades no país, para isso, vai dar aos moçambicanos 60 milhões de euros, para apoiar o financiamento da reintegração dos homens da Renamo. A informação foi avançada pela comissária da União Europeia (UE) para Política Externa, Federica Mogherini, momentos antes de Filipe Nyusi e Ossufo Momade assinarem o acordo de paz.

 

Texto: Arão Nualane

 

A comissária da União Europeia lembrou aos presentes na cerimónia que os presidentes (Nyusi e Momade) mostraram que, apesar de ser difícil fazer a paz, é possível, afirmando igualmente que a mensagem que trazem é importante, porque é um momento histórico que deve ser celebrado.

Segundo esta personalidade, a UE vai continuar a apoiar Moçambique para que a paz prevaleça, daí que, além dos 60 milhões de euros anunciados para financiar a reintegração social, muitas coisas ainda virão por parte da sua organização.

A chefe de Política Externa da UE chamou à atenção para que o montante cedido seja usado em benefício dos moçambicanos. “O valor dado à Renamo e ao Governo deve funcionar para a manutenção e promoção da paz e permitir que as pessoas se beneficiarem da assinatura do acordo definitivo. A UE responsabiliza-se por apoiar o país, porque este é um momento histórico. Depois da assinatura, estarão sozinhos, nós estaremos dispostos a apoiá-los”, prometeu Federica Mogherini.

Por seu turno, Mirko Manzoni, embaixador da Suíça em Maputo, membro do grupo de contacto e facilitador do diálogo entre o Governo e a Renamo, fez menção à coragem de Filipe Nyusi e Ossufo Momade ao quererem a paz para os moçambicanos. Na ocasião, Manzoni não se esqueceu do falecido líder da Renamo Afonso Dhlakama, que, no seu entender, também jogou um papel preponderante na conquista da paz.

“Hoje, a coragem de Nyusi e Ossufo de correr riscos trouxe bons resultados. Lembrar que apesar dos atentados de morte contra Dhlakama, ele sempre se interessou pela paz”, esclareceu Mirko Manzoni, para depois salientar que “estamos a entrar num período de paz, e a comunidade internacional deve estar sempre presente para monitorar o processo”.

 Líderes africanos querem que a irmandade não seja mais “beliscada”

Alguns presidentes africanos vieram a Moçambique para in loco assistir e dar os seus depoimentos sobre este momento, que, para eles, é de uma reconciliação entre irmãos, que em conjunto devem trabalhar para que a paz perdure para sempre.

O primeiro a “dar o ar da sua graça” foi o chefe de Estado da Namíbia e presidente da SADC, Hage Geingob, afirmando que Nyusi e Momade estão a trabalhar para o desenvolvimento social e económico. Geingob apelou para que a luta seja de calar definitivamente as armas, cabendo aos dois principais intervenientes levar o acordo a bom porto.

Já o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, falou dos momentos em que Moçambique sempre apoiou a luta contra a segregação racial na África do Sul, sendo por isso que o seu país também apoia os moçambicanos, que mostram ao mundo que o objectivo de acabar com a guerra no continente africano até 2020 é possível.

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