Partido Frelimo está partido

 

Poucos querem assumir, mas é um facto. O “glorioso” e mais antigo partido político do nosso país, a Frelimo, está a passar por momentos menos saudáveis em termos de relacionamento inter-pessoal dos seus membros a vários níveis.

O Dossiers & Factos sabe que, por exemplo, a nível do Comité Central (CC), os membros do secretariado andam divididos, sobretudo algumas chefias do partido, embora para fora tentem fazer transparecer união.  

No total, são oito membros que compõem a estrutura do secretariado do CC, o órgão mais importante entre os congressos, responsável em colocar em andamento as diferentes acções e actividades do partido durante o período que separa os congressos.

As fontes denunciantes são internas do secretariado do CC, que vivem de perto a situação, e falam de um ambiente de fofocas e intrigas que envolvem algumas chefias do secretariado, que permitem esta prática, havendo momentos de rixas silenciosas dentro do conjunto.

“Até que não seja obrigatório que sejamos amigos, mas talvez fosse imperioso que fôssemos unidos e constituíssemos um conjunto coeso, o que não está a acontecer nesta altura. Vivemos ambiente de crispação com alguns dos camaradas ligadas à direcção, fruto do ambiente que eles mesmo instalam, caracterizado por fofocas, intrigas e até regionalismo e tribalismo”, disse uma fonte bem posicionada dentro do secretariado do CC.

O assunto é tão grave que chegou ao extremo de alguns membros do secretariado já não contribuírem abertamente em ideias ao Secretário-geral do partido, Roque Silva.  

As mesmas fontes explicam que desde o último congresso (XI), realizado na Matola, de 26 a 30 de Setembro de 2018, o ambiente interno passou a ser menos saudável em vários sectores,  mas num ambiente de muito secretismo devido às doutrinas partidárias que são apenas de obediência completa aos estatutos.

Lambibotismo em alta

As fontes dizem ainda que o trabalho que é mais prestativo para a maioria dos membros é o de fazer algo para estar próximo ao chefe, e vangloriar-se em ser amigo deste ou daquele chefe, em especial ao chefe de todos, que é o presidente do partido.

“A situação não é das melhores, mas finge-se que tudo está conforme. Apesar de o secretário-geral do partido mostrar-se um indivíduo gestor sério para com a coisa do partido, a relação entre os membros do secretariado, incluindo para com ele mesmo, não é saudável, sendo difícil perceber quem é que origina este tipo de ambiente”, disse uma fonte partidária. 

Actualmente, com cerca de quatro milhões de membros, a Frelimo é o partido mais robusto e bem organizado em Moçambique, e que possui uma longa história que se confunde com a da nação moçambicana.  

Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) é o movimento responsável pela libertação da pátria moçambicana do jugo colonial português, e que já teve cinco presidentes, nomeadamente Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e actualmente é dirigido por Filipe Jacinto Nyusi, desde o ano de 2015.

Esta aparente divisão dos quadros seniores do partido acontece numa altura em que já há corredores e alianças que estão a ser feitas, com vista a sucessão de Filipe Nyusi, em 2024, onde vários observadores vaticinam um processo capaz de deixar várias celeumas no seio dos camaradas.

Será preponderante a capacidade de gestão destes conflitos por parte de Filipe Nyusi para evitar que a sua sucessão, por um quadro proveniente do Centro do País, seja marcada por grande crispação entre as diversas alas.

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