“Precisamos de guerrilha para combater a guerrilha”

Numa altura em que muito se discute a possibilidade de as Forças de Defesa e Segu-rança (FDS) lutarem lado a lado com forças estrangeiras em Cabo Delgado, Yaqub Sibindy defende que a receita para derrotar os terroristas pas-sa por responder pela mesma moeda, ou seja, com guerrilha. Na opinião do presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO), “não se combate guerrilha com um exército sofisticado”.

Nem intervenção militar estrangeira nem sofisticação do Exército. Para Yaqub Sibindy, não são essas as reais necessidades de Moçambique no combate ao terrorismo que grassa na província de Cabo Delgado. Em entrevista exclusiva ao Dossiers & Factos, o político entende que o país precisa de uma espécie de “guerrilha governamental” para fazer face à estratégia do inimigo. “Do mesmo jeito que os insurgentes treinam jovens para combater, a nossa guerrilha também deve treinar jovens. Os insurgentes dormem lá no mato, comem lá e treinam lá, o Estado também deve começar a treinar a sua guerrilha lá mesmo, incluindo jovens para combater. As FDS são para defender a soberania, nós precisamos mesmo é de guerrilha, e vai designar-se guerrilha governam e n t a l ” , explicou Sibindy. Mais adiante, o político destacou que, pela sua natureza, a guerrilha não tem lugar fixo nem território para defender, sendo que um dos seus principais objecti-vos é criar pânico. Nesse sentido, questiona como se pode combater um inimigo com es-tas características usando helicópteros e tan-ques de guerra. A fonte esclarece que não pretende pro-por a transformação do Exército regular, mas sublinha que “a guerrilha precisa ser criada” e até aponta potenciais vantagens que Mo-çambique tem neste domínio. “Temos ran-gers frescos da Renamo que podem integrar a guerrilha, temos os que fizeram parte da Luta de Libertação Nacional, conhecem mui-to bem Cabo Delgado”.

“Partidos da oposição devem unir-se”

Num outro desenvolvimento, o presiden-te do PIMO lançou recados aos partidos da oposição, apontando para a necessidade de união entre eles. Sibindy visava especifica-mente o presidente do Partido de Unidade Nacional, que o tinha acusado de estar ao serviço do partido no poder. Em entrevista publicada na edição 411 do Dossiers & Factos, com o título “A maioria dos extraparlamentares é frelimista”, Hipó-lito Couto atacou quase a generalidade dos partidos sem assento no Parlamento, ten-do afirmado que, em 2019, foram pagos pelo porta-voz da Frelimo, Caifadine Manasse, para afirmar que as elei-ções tinham sido livres, justas e transparentes.Em reac-ção a tais acusa-ções, Si-b i n d y entende que a atitude de Hipó-lito Cou-to resulta da falta de agen-da. “Quan-do um partido não tem agenda, a única coisa que pode fazer é tentar aparecer usando o nome dos outros, e é isso que o meu amigo Couto está a tentar fazer”.De resto, na opinião de Sibindy, o proble-ma de agenda é transversal a quase todos os partidos políticos em Moçambique. “Se pegar um ou dois de todos os partidos que sempre concorrem às eleições, até esses grandes, Renamo e MDM, não te vão dizer a sua agenda de governação, esses esperam ganhar para depois traçar estratégias, mas o PIMO não, nós já temos a estratégia de go-vernação”, explicou. Yaqub Sibindy rejeita o rótulo de “coap-tado pelo regime” e diz ser descabida a ideia de que terá recebido dinheiro da Frelimo em eleições de que nem participou. Mais do que isso, sugere que os ataques de Couto deviam ter um outro alvo. “O PUN devia aparecer a criticar a Fre-limo, que plagiou o projecto “Novo Moçam-bique” e o está a implementar de forma erra-da, em benefício de suas próprias famílias, quando o PIMO quer implementá-lo em be-nefício de todas as famílias moçambicanas”, anotou.

Aos partidos da oposição, o presidente do PIMO só tem uma palavra: união.

“Os partidos políticos da oposição em Malawi uniram-se em torno de um candidato e elegeram um presidente, hoje Malawi tem um presidente (Lazarus Chakwera) vindo da oposição, porque os partidos não dispersa-ram votos, era disso que Couto devia falar, devia preocupar-se com a coligação dos par-tidos da oposição, para podermos ganhar as eleições e não sair por aí apontando erros aos seus pares”, disse.

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