Preparados caseiros de limão, água e sal podem ser eficientes na prevenção da Covid-19

 

Um grupo de docentes da Universidade Púnguè está à espera do aval das autoridades da Saúde para poder publicar numa revista científica do Brasil as conclusões de um estudo sobre as propriedades químicas do limão em diferentes preparados caseiros, e sua influência na prevenção e tratamento da Covid-19. A concretizar-se, será o primeiro estudo levado a cabo por cientistas nacionais sobre o assunto, numa altura em que seus homólogos de todo o mundo estão a trabalhar arduamente na busca de uma cura e identificação de melhores soluções de prevenção.

O estudo, desenvolvido por docentes da Universidade Púnguè, na cidade de Chimoio, em Manica, consistiu em pesquisas laboratoriais, onde foram sintetizadas amostras de limão, água, sal e açúcar, combinadas em concentrações pré-definidas.

A equipa assegura que os resultados até então alcançados mostram-se promissores na prevenção da Covid-19, sendo que a mistura de limão, água e sal revelou maior eficácia em relação a limão, água e açúcar.

No entanto, a publicação do mesmo tanto na revista científica brasileira, que já solicitou o estudo, quanto uma provável disseminação pelas comunidades estão dependentes da aprovação ou não das autoridades da Saúde, primeiro a nível local, através da Direcção Provincial da Saúde de Manica, e posteriormente a nível central.

A informação foi confirmada ao Dossiers & Factos por Djabrú Manuel, um dos pesquisadores, que garantiu que já foi estabelecido o contacto com as autoridades da Saúde a nível provincial, e que o primeiro encontro está agendado para esta segunda-feira (13 de Abril).

“Nós estamos a fazer um estudo. Publicámos o que estamos a fazer e houve muita expectativa em ter resultados conclusivos, mas, institucionalmente, fomos orientados a seguir alguns trâmites, que são: comunicar às autoridades da Saúde, apresentar os resultados preliminares a uma equipa responsável e termos um aval”, revelou Manuel.

Na verdade, o estudo poderia ter sido publicado no passado sábado (11 de Abril), mas ficou refém da aprovação pelas autoridades da Saúde nacionais. “Recebemos um convite de uma revista científica internacional brasileira, que está neste momento a publicar estudos ligados à Covid-19, porém, apesar de as universidades serem autónomas, achamos que seria bom termos o aval do Ministério da Saúde, e para não saltamos a Direcção Provincial, vamos primeiro marcar um encontro com a direcção e depois daremos a conhecer os passos subsequentes”.

Bastante optimista quanto à celeridade do processo burocrático institucional, Manuel espera que até sexta-feira tudo esteja a postos para a publicação do estudo, aos níveis nacional e internacional.

“Nós fizemos análises laboratoriais das preparações caseiras do limão, para confirmar algumas propriedades, uma das quais é o nível de acidez que, como sabemos, desnatura a proteína e é através de uma proteína que o coronavírus conecta-se à célula humana. Então, como ela se aloja na garganta durante o período incubatório e é de lá onde passa o limão, então, poderá desnaturar a proteína. Primeiro, desactiva a conexão entre a molécula do vírus e a célula, e depois desactiva a proteína”, esclareceu o cientista.

Na ocasião, revelou que ainda não foram feitos testes com pessoas, pois em todo o mundo os estudos que estão a ser feitos são sob ponto de vista bioquímico. “A próxima fase podemos propor ao Ministério da Saúde, que é responsável por fazer amostras, para disponibilizar algumas para fazermos os testes necessários in vitro, para que posteriormente possa se aplicar em pessoas”.

Para além de Djabrú Manuel, fazem parte do grupo de cientistas, literalmente atrevidos, Milagre Phele, Natércio Mucavel, Francisco Francisco e Edson Raso, que salientam que os preparados caseiros analisados poderão ser muito determinantes na prevenção da contaminação pelo vírus ou mesmo no período incubatório e não necessariamente após a instalação da doença.

O estudo teve como alicerces estudos anteriores que revelam que substâncias com propriedades antivirais, tais como os inibidores da protease, baicalina, cloroquina, amodiaquina, glicirrizina, indometacina, azitromicina têm maior eficácia quando combinadas.

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