PRM diz que revogou as promoções dos assassinos de Anastácio Matavel

 

Embora não apresente provas, a Polícia da República de Moçambique, através do seu porta-voz, Orlando Mudumane, diz que os despachos de promoção de três dos cinco agentes envolvidos no assasinato de Anastácio Matavele, por sinal os únicos vivos, já foram revogados.

“Tratou-se de uma falha, que foi corrigida, porque logo que se detectou o erro, as promoções foram revogadas”, declarou Orlando Modumane, citado pela Lusa, jurando de pés juntos que o Comandante-geral da PRM, Bernardino Rafael, recebeu as propostas de promoção antes do assassinato.

Entretanto, não soube explicar como é possível que não se tenha detectado a existência de nome de três agentes envolvidos no assassinato de Matavele, apenas garantiu que já foram revogados, mas não aceitou partilhar as provas documentais sobre a revogação.

“Trata-se de documentos institucionais que não podem ser exibidos em público. O que interessa é que as promoções foram revogadas”, justificou.

Curiosamente, só foram promovidos os três agentes que sobreviveram ao acidente de carro ocorrido minutos depois do assassinato de Matavele quando estavam em fuga em direção ao quartel do Grupo de Operações Especiais da Unidade de Intervenção Rápida.

Os nomes dos dois agentes que morreram no acidente não constam da listas de promoção, o que levanta uma suspeita de que só não aparecem porque são márteres.

O caso foi dispoletado pela investigação do jornal SAVANA que já nas edições de 11 de Outubro e 1 de Novembro do ano passado, alertava que os agentes da Polícia que assassinaram Anastácio Matavele não tinham recebido qualquer valor monetário pela missão, mas haviam “apenas promessas de promoção”, caso a operação se concretizasse.

Como promessa é dívida, escreve o SAVANA, dois meses e 20 dias depois de concretizada a operação, três dos cinco agentes que balearam Matavele viram suas promessas concretizadas a 27 de Dezembro de 2019. O despacho do Comando-geral leva a estampa do comandante Bernardino Rafael.

Foram promovidos: Edson Silica, ora detido, a aguardar pelo julgamento, foi promovido ao cargo de Sub-Inspector da Polícia, enquanto Euclídio Mapulasse (também na cadeia) e Agapito Matavele, ainda foragido, foram elevados às categorias de sargentos da Polícia, conforme se pode atestar dos Despachos nº6412/GCG/2019 e nº6447/ GCG/2019, todos assinados a 27 de Dezembro pelo Comandante Geral da Polícia, Bernardino Rafael. O primeiro despacho nomeia sub-inspectores e o segundo sargentos.

No primeiro despacho, Bernardino Rafael atribui “a patente de Sub- -Inspector da Polícia, na Escala Média, com efeitos imediatos, aos membros da PRM abaixo indicados…” E um desses promovidos é Edson Cassiano de Lacerda Silica, o nº5 da lista da Província de Gaza, com o código 09851485. Edson Silica era o condutor da viatura usada para assassinar Anastácio Matavele.

No segundo despacho, o comandante geral da Polícia atribuiu “a patente de Sargento da Polícia, na Escala Média, com efeitos imediatos, aos membros da PRM abaixo indicados…” Dos 15 Sargentos indicados, dois deles estão envolvidos no assassinato de Matavele, nomeadamente Agapito Alberto Matavele, nº2 da lista de Gaza, com código 12862529, e Euclídio Eugénio Mapulasse, nº7 da lista de Gaza, com código 09861562. Foram nulos vários esforços de obter um comentário do Comando Geral da Polícia sobre este assunto.

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