Rede HOPEM repudia assassinato brutal da jovem Michele Menete

 

A Rede de Homens pela Mudança (HOPEM), uma organização que bate-se pela erradicação de estereótipos e alguns hábitos que colocam em causa o bem estar das mulheres e homens,  repudia o assassinato brutal da jovem Michele Menete, perpetrada pelo seu namorado, identificado por Manuel Cossa, no bairro Ndlavela, no Município da Matola, aparentemente por motivos pacionais.

A rede HOPEM considera doloroso ver e perceber que apesar de um longo caminho que tem vindo a ser trilhado com vista a eliminação da violência contra a mulher, esta continua acontecendo.

“É com pesar e consternação que mais uma vez os midias voltaram a nos mostrar mais um caso de violência contra uma mulher e que resultou na morte da mesma. Trata-se de um feminicídio. A Michele Menete foi morta por ser mulher. Este assassinato macabro veio para acrescentar as estatísticas repugnantes  de mulheres e raparigas que são mortas, simplesmente por serem raparigas e mulheres”, refere a organização, em nota de repúdio enviada à nossa redacção.

A HOPEM considera ainda duro perceber que mesmo tendo uma Lei contra a Violência Doméstica em implementação há mais de 10 anos, esta pratica contra a mulher continue a ser vista como acto normal e socialmente justificada.

O caso em apresso, aconteceu, há pouco mais de uma semana, quando um jovem identificado pelo nome de Manuel Cossa, assassinou com recurso a um objecto contundente a sua namorada de nome Michelle Menete, residente no bairro de Ndlavela. Fala-se que a relação amorosa entre este casal jovem durava há mais de três anos.

Para a HOPEM é mais repugnante ainda pelo facto deste caso não ser isolado, sendo apenas a representação de um modelo de masculinidade socialmente construída, fortalecida, desenvolvida, reproduzida, legitimada e perpetuada.

“Uma masculinidade que se constrói na base de um poder sobre as mulheres. O poder do homem vigiar o corpo da mulher, disciplinar, corrigir e sancionar a mulher, sempre que não for ao encontro das expectativas que este cria em relação a mulher, que, é geralmente, a expectativa social. Infelizmente é com base nestas expectativas que a violência contra ela é ainda aceite, justificada e legitimada”, sublinha a organização.

Onda crescente de repúdio encoraja HOPEM

Entretanto, apesar de estar preocupada com a prevalência de casos, a Rede HOPEM diz sentir-se aliviada, em parte, por ver que existe uma onda crescente de repúdio à violência por parte de vários segmentos da sociedade.

“Porém, em simultâneo, preocupou-nos ver em diferentes fóruns, a forma como o caso deste feminicídio foi comentado. Certas vozes, ao invés de repudiarem o assassinato, o justificaram: ‘ela o traiu, para chegar nesse extremo, algo de grave ela deve ter feito e etc’. Um dos nossos colegas ao interpelar alguns destes posicionamentos nas redes sociais, foi dito que possivelmente ainda não passou por uma situação de investir numa mulher e com o passar do tempo, a mesma trai-lo, pois, se tivesse tido uma experiência similar, entenderia melhor o assassino”, lamentou.

Numa altura em que o infractor continua foragido, a HOPEM chama à responsabilidade ao sector da Justiça, que, no seu entender, é chamado para “agir com medidas exemplares, disciplinares, coercivas e contundentes para com as pessoas que cometem a violência, com particular destaque para polícia que muitas vezes tem o primeiro contacto com casos de violência”.

Ainda na nota, a HOPEM comprometeu-se a continuar a trabalhar na construção e promoção de uma masculinidade positiva. Reiterou, inclusive, o seu apoio aos movimentos feministas e de mulheres que de forma erguida, com todos os desafios do percurso, tem continuamente lutado para defesa dos direitos das mulheres e raparigas, de modo que, nenhuma mulher e rapariga fique para trás.

“Quanto a nós, como HOPEM, continua o compromisso de trabalhar na construção e promoção das masculinidades positivas, masculinidades que não se manifestam pela violência e nem pelo poder sobre as mulheres e raparigas, mas, que dialogam e acolhem. Para isso, vamos envolver cada vez mais os homens e os rapazes a reflectir sobre a violência e seus impactos. Iremos conversar com estes homens e rapazes de modo a compreenderem a necessidade do seu envolvimento na promoção de ações saudáveis para as mulheres, raparigas, crianças e para eles mesmos”, garantiram. Redacção

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