Refiller Boy concorre a deputado pela Nova Democracia

·  “Não estamos aqui como oposição, mas sim como povo” – defende o músico

O conceituado músico de intervenção social Refiller Boy acaba de juntar-se ao recém-lançado partido Nova Democracia e vai concorrer ao cargo de deputado da Assembleia da República por aquela formação política, a única no país que diz ter alicerces nos princípios que sempre defendeu.

Lançado há semanas, na capital do país, a Nova Democracia (ND) identifica-se como um movimento social, que tem como objectivo conquistar o maior número possível de assentos na Assembleia da República e nas assembleias provinciais e, quiçá, em casos extraordinários, governar o país.

O mesmo movimento nasce, segundo seus fundadores, do esgotamento dos moçambicanos pelas políticas públicas não inclusivas e por um regime arrogante e insensível aos problemas do povo, que se perpetua através de fraude eleitoral, que se repete eleição após eleição, incluindo em 2018.

Falando ao Dossiers & Factos, numa curta entrevista, que será publicada na íntegra na próxima edição, o jovem músico aspirante a deputado assume que, como músico, sempre foi deputado do povo, “de uma forma não oficial, e agora quero oficializar”.  

Lança uma crítica aos três partidos com assento parlamentar, os quais, segundo ele, não representam as aspirações e as vontades do povo na magna casa, mas sim seus interesses particulares, chancelados por acordos de quartos.

“Os deputados e outros políticos que nós temos no país usam a política não para beneficiar o povo, mas sim para benefício próprio.  Então, no âmbito da nossa luta, eu, como músico de intervenção social, decidi juntar-me à causa da Nova Democracia, que é um movimento que visa mudar a forma como a democracia é encarada em Moçambique”, garante.

Segundo ele, numa primeira fase, aquela formação política não quer levantar altos voo ou dar passos galopantes, mais sim lutar por assentos na Assembleia da República, espaço privilegiado a partir do qual pretende representar o povo.

“Conseguindo assentos na AR, teremos autoridade para poder defender os indefesos, porque somos a voz do povo. Durante algum tempo, o povo questionava-me por que não entrava num partido e concorrer, nas eleições. Eu respondia que nenhum partido estava preparado para me ter como deputado. Primeiro, os partidos políticos no Parlamento não estão para defender os interesses do povo; segundo, estão lá para bajular os seus líderes; terceiro, estão em defesa de interesse próprios”, criticou.

A concorrer pelo círculo eleitoral de Gaza, Refiller Boy garante que, uma vez na Assembleia da República, vai bater-se pelo povo moçambicano, com particular destaque para a população da sua província, que apesar de prestar vassalagem à Frelimo, segundo ele, está esquecida e parada no tempo.

“A nossa pretensão é mudar o xadrez político nacional, tornar o jogo político numa realidade e não um jogo de mafiosos. Provei ao povo que sou capaz, e, na maioria das minhas intervenções, através da música, tenho mostrado que, para além estar a criticar, às vezes deixo algumas sugestões de resolução dos problemas. Uma coisa é criticar sem deixar sugestões, outra é criticar apresentando soluções”, sublinha.

“Sou uma pessoa que traz segredos que são escondidos com o intuito de oprimir o povo, por isso, durante muito tempo, fui perseguido, porque eles acabam tendo medo de fazer esse tipo de coisas, e nós, como Nova Democracia, vamos usar esse mecanismo para poder pressionar o Governo a olhar mais pelo povo. Estou a fazer as vontades do povo. Há anos que o povo me pede para entrar num partido, porque confia em mim, porque quer ver as coisas a mudar. Outros propuseram-me que concorresse às eleições presidências, cargos grandes, mas sempre me recusei”, acrescentou.

A província de Gaza é considerada bastião da Frelimo, mas esse facto não intimida ao nosso entrevistado. Refiller Boy, por muitos considerado o músico mais popular daquela província, garante que terá aceitação do povo, pois, segundo ele, “apesar de ser um local de difícil penetração, nós vamos para ganhar, porque não vamos lá como oposição, mas sim como povo e se o povo estiver connosco terá que votar em nós”, – sentenciou.

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