Renamo de Sandura ameaça apresentar o seu próprio candidato

 

Prevalece a tensão entre as duas alas no seio da Renamo, na província de Sofala.  O movimento de reconciliação, que havia sido criado para dirimir o conflito existente entre a “Renamo Unida”, liderada pelo actual presidente, Ossufo Momade, e a auto-proclamada “Renamo Democrata”,  dirigida pelo deputado da Assembleia da República e então delegado provincial, Sandura Ambrósio, não encontrou solução, e, consequentemente, continua a guerra sem quartel entre ambos. Ao Dossiers & Factos, Sandura Ambrósio revelou que a sua ala está já no terreno a fazer a triagem das listas a candidatos à Assembleia Provincial, e brevemente irá apresentar o seu cabeça-de-lista.

Texto: Aristides Mbofana, Beira

Apesar das eleições estarem próximas e se fazer passar a imagem de que o partido está a trabalhar afincadamente para vencer, o clima permanece tenso no seio dos membros. Há até divergências entre as listas apresentadas pelo líder da Renamo, Ossufo Momade, e as das delegações provinciais para a eleição dos seus cabeças-de-lista.

Contradição de nomes, surgimento de membros fantasmas e oportunistas ao poder político, tempo de militância no partido, entre outros factores, são apontados como o problema principal que põe em causa a união permanente rumo à vitória nas eleições gerais de Outubro próximo.

Recorde-se que a crise na Renamo começou a verificar-se logo após o fim do  VI Congresso da  Perdiz, supostamente devido à marginalização de alguns quadros influentes daquele partido, que passaram a ocupar posições de pouco destaque.

É que, depois de ser eleito, Ossufo Momade levou a cabo uma autêntica vassourada, isolando sobretudo aqueles membros que nas eleições internas apoiaram a candidatura de Elias Dhlakama.

Na ocasião, o próprio Conselho Nacional, o qual passou a partir deste congresso a ser constituído por 120 membros, contra a anterior composição de 110 integrantes, foi preenchido por novas caras, deixando de fora nomes como de Ivone Soares, António Muchanga, entre outros membros que sempre deram a cara pelo partido.

Ao agir assim, Ossufo Momade ignorou os apelos de Elias Dhlakama, irmão do falecido líder da Renamo e um dos candidatos derrotados nas eleições internas, que pediu à nova liderança para evitar “caça às bruxas”.

“O apelo que o presidente fez sobre a necessidade de os membros se unirem não pode ser apenas da boca para fora, mas sim uma realidade, e que não haja caça às bruxas, porque uns apoiavam a candidatura deste ou daquele candidato. Gostaríamos que o partido Renamo voltasse a ser uma família, na medida em que pretendemos vencer as eleições de Outubro deste ano”, alertou Elias Dhlakama, que sublinhou que enquanto a família Perdiz não estiver unida nunca alcançará o poder.

Mas, como que a correr contra a maré, Ossufo Momade, passado um mês, começou a montar o seu xadrez, afastando alguns delegados provinciais e distritais apoiantes do irmão do falecido líder Afonso Dhlakama.

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