Risco de contaminação com covid-19 iminente no mercado Malhampsene

Não há observância de medidas de prevenção contra o Coronavírus, no novo mercado de Malhampsene, na cidade da Matola. O mercado, recentemente parcelado, alberga vendedores retirados dos bairros da Liberdade, Mulotana e os que estavam nas bermas da da EN4. Sem observância das medidas de prevenção, os vendedores ficam aglomerados no mesmo espaço, sem água para a higienização das mãos e alguns sem mascaras.

Texto: Lídia Cossa

Vendedores informais que operavam no terminal de Malhampsene, nas bermas da Estrada Maputo-Witbank (EN4), no município da Matola, foram transferidos há semanas para um novo espaço, parceladas, com mais de 600 bancas, pequenas e muito spertadas, sem observar as medidas de distanciamento social.  

A medida é justificada com o permanente perigo a que os vendedores e os clientes estão expostos. Isso sem esquecer dos passageiros que são embarcados e desembarcados naquele lugar por transportadores de diversas rotas.

A nossa equipa de reportagem fez uma ronda no mercado onde percebeu que de facto os vendedores não observam medidas de prevenção. O distanciamento de um metro e meio não é obedecido, não usam mascaras, nem desinfectam as mãos.

Para além da não observância das medidas de prevenção, o actual mercado não tem sanitários para os vendedores e os mesmos afirmam que são obrigados a pagar 10 meticais para ter acesso a uma casa de banho.

Arlete José é uma das vendedeiras que teve seu espaço esta segunda-feira. Apesar de reconhecer que é muito pequeno para o negócio, diz que “é melhor pouco do que nada”.

A vendedeira falou à nossa reportagem que antes de ter o espaço que era obrigada a ser “nómada” porque havia muita confusão no mercado.

Sobre a observância das medidas de prevenção, a fonte disse que leva consigo limão para de minutos em minutos desinfetar.

“Como não tenho agua e sabão aqui uso limão, principalmente quando acabo de atender alguém ou quando estou para atender”, garantiu.

Joana Massanganhe, é vendedeira que teve espaço no mesmo dia, depois de dias de luta. Afirma que não está muito satisfeita, mas pelo menos já tem um espaço onde ninguém lhe vai tirar.

“Este espaço é muito pequeno, eu vendo verduras e legumes e aqui não é suficiente para mim, mas pelo menos ninguém me vai tirar daqui, porque foi o próprio município que me colocou, é só isso que me deixa bem”, assegurou, para depois referir que para as medidas de prevenção costuma andar com água e sabão, porém, durante a interação com o jornal Dossiers & Factos disse que não levou porque sabia que não iria trabalhar.

Por sua vez, Angelina Magaia vende legumes, verduras e frutas, mas o espaço que tem é de sentir pena. Até para organizar a banca é complicado.

O Dossiers & Factos quando chegou no local estava a atender um cliente que parecia estar a comprar na banca vizinha, por o espaço ser demasiado pequeno.

“É difícil observar medidas de prevenção nestas condições, estamos todos muito apertados, três bancas parecem uma só, é complicado”, lamentou.

Enquanto conversava, Angelina não tinha máscara, alegando que lhe sufoca e não consegue respirar, preferindo desta feita colocar o lenço.

Os vendedores culpam o município por não ter criado condições para se prevenirem da Covid-19, numa altura em que os casos estão a aumentar.

“Aqui não temos casa de banho, para fazermos necessidades temos que pagar a partir de 10 meticais, não colocam água para lavar as mãos, cada vendedor deve garantir sua água e seu desinfectante, só vieram nos despachar com esses espacitos e foram embora”, acusou.

“Não nos dão espaço para por baldes com água” – UTRAMAP

 

Domingos Ualane da União dos Transportadores Semi-Colectivos de Passageiros da Província de Maputo (UTRAMAP) disse que antes de serem retirados da antiga terminal, tinham baldes com água e sabão para higienizar as mãos antes de entrar no autocarro. Porém, onde foram colocados actualmente não há espaço suficiente.

“Desde que nos colocaram aqui ainda nem sabemos qual é o nosso verdadeiro espaço, porque quando chegam aqui nos indicam um sítio, e no outro dia nos indicam outro, isso é complicado. Até hoje, não sabemos onde é a nosso terminal aqui”, mostrou-se indignado.

A fonte garantiu que se tivesse espaço suficiente poderiam colocar seus próprios baldes de água, porque o município não quer colocar.

A fonte lamenta também a falta de distanciamento entre vendedores e afirma que será dali vai eclodir a Covid-19 para eles, porque aqui não há distanciamento.

Ualane ao nosso órgão que tem sensibilizado os motoristas a tomarem medidas de prevenção, desinfectando as mãos.

“Digo aos motoristas para não deixarem ninguém entrar sem máscara, andarem com desinfectante para passarem no corrimão do autocarro e nas mãos dos passageiros. Ainda nem temos terminal aqui, hoje nos mostram um espaço, amanhã, nos mostrar outro”, concluiu.

A nossa reportagem tentou, sem sucesso, entrar em contacto com o Conselho Municipal da Matola. No terreno estava um fiscal a demarcar as bancas, porem, este se recusou a dar qualquer tipo de esclarecimento alegando que não tinha autorização. Este disse que o Vereador de Mercados e Feiras estava a caminho, porem, depois de algumas horas de espera não apareceu.

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