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Ruben Zacarias: o “camaleão” das artes

 

Da Zambézia para o mundo. Ruben Zacarias é um dos mais respeitados nomes das artes moçambicanas feitas pelos jovens, não tivesse ele uma trajectória digna de realce, com exposições em Moçambique e além-fronteiras. A última aconteceu em terras lusas, em Agosto, com o tema “sonhos de um camaleão”.

 

Texto: Albino Mahumana

 

Conhecido no mundo das artes pelo cognome Camaleão, Ruben Zacarias é daqueles artistas cuja génese confirma a ideia de que é de pequeno que se torce o penino e de que é preciso juntar-se aos bons para ser-se também bom. Foi precisamente o que fez quando, em 2008, e encantado com um colega de carteira que “desenhava de forma brutal”, passou a visitar o atelier Bindarte, “do mestre Blinda”.

Lá me formei em desenho, pintura e artesanato durante dois anos”, lembra o artista, que assim construiu bases para voar alto, não fosse ele de Alto-Molócuè, distrito onde nasceu, no ano de 1995. Embora relativamente curta, a sua carreira é já repleta de grandes feitos, com destaque para exposições.

“Sonhos de um camaleão” é o nome da última exposição que fez, no mês de Agosto, em Portugal, mas o jovem pintor tem estado frequentemente presente em ouutras latitudes do mundo. Estados Unidos da América, Japão e República Checa são apenas alguns exemplos.

Embora descreva o seu estilo como sendo “diversificado”, Camaleão diz ter uma forte influência do surrealismo abastracto, que tem, entre outras, as seguintes características: o uso de cores fortes e ousadas; a criação de mundos próprios, infinitos e incomensuráveis a partir de figuras cubistas e abastractas; e a inclinação para a psique humana e seus desejos proibidos.

A obra não tem temas e técnicas constantes. Pinto sensações incomuns, que me causam novidade, desde a mulher, a educação, a viagem, o amor, a conservação ambiental”, declara o artista plástico que, se não fosse o que é, seria “poeta ou fotógrafo”.

Não é nem poeta, nem fotógrafo, mas não é só com o pincel que trabalha. Ruben Zacarias é formado em técnicas de medicina física e reabilitação.

“Há trabalhos admiráveis em Moçambique”

Instado a avaliar as artes plásticas em Moçambique, o jovem pintor disse, categoricamente, haver trabalhos com qualidade “admirável”. Talvez por medo de ser mal entendido, sentiu a necessidade de reforçar que “falo concretamente da qualidade das obras produzidas”.

Noutros aspectos, a avaliação não é assim tão positiva. “Estamos muito atrasados, em comparação com outros países, devido a falta de galerias, organização de exposições, concursos de artes visuais, workshops, [entre outros] elementos que tornam o mercado da arte maduro e forte”, explicou.

A “apreciação da arte” é outro campo no qual diz haver um grade atraso e imputa a responsabilidade ao “factor educacional”, pese embora reconheça que há outros factores determinantes.

Talvez esteja aqui a explicação para as dificuldades que os artistas sentem de viver do seu próprio trabalho. Mas, para Camaleão, é só difícil, e não impossível.Porém, para tal, é preciso fazer constantes pesquisas e encontrar outras formas de produção para massificar as vendas”, sugeriu.

É na componente “massificação” que considera que o Ministério da Cultura e Turismo pode ser fundamental, “descentralizando as pouquíssimas oportunidades que existem e estabelecendo parceirias com diversas Organizações Não Governamentais (ONG) que operam no país para que as artes façam parte da rotina do seu trabalho”.

Outro grande entrave ao desenvolvimento das artes plásticas em Moçambique, e que parece ser transversasl a todos os pintores, é a escassez de material de arte. Camaleão debate-se com este problema frequentemente, já que na cidade onde reside, algures na província de Niassa, não existe nenhum supermercado que vende material desta natureza.

 

 

 

 

 

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