SADC: Nova Democracia diz que são 40 anos de clientelismo entre um grupo de amigos

e questiona a sua inacção perante assuntos candentes como os ataques em Cabo Delgado

 

Este ano, a cimeira dos Chefes de Estados em exercício dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), coincide com a celebração dos 40 anos da criação da organização, num contexto de grandes desafios. No entanto, para o movimento Nova Democracia, aquela está ainda longe de cumprir cabalmente o seu papel e denuncia falta de coesão e uma cooperação baseada no clientelismo de um clube de amigos distantes dos seus povos, numa clara alusão aos governantes.

Moçambique assumiu, Ontem, a presidência rotativa da SADC num momento de grandes desafios, segundo o partido Nova Democracia, liderado por Salomão Muchanga, que considera haver necessidade de uma reflexão profunda sobre a SADC que se quer, revisitando a história compartilhada, a dependência e as motivações políticas que atrelam Moçambique ao bloco regional.

A Nova Democracia (ND) questiona o papel actual do bloco regional, tido como um dos mais letárgicos e obsoletos do continente, destacando que as suas políticas e acções estão longe de perseguir os seus objectivos fundacionais e mostram-se inoperantes, denunciando a ausência de coesão. Aliás, questiona, inclusive, a sua apatia perante o terrorismo em Cabo Delgado.

“O comprometimento com a democracia e os direitos humanos é tão raro ao nível do bloco, quanto o apoio mútuo mensurável em questões de paz e segurança, minando a relação construtiva com a sociedade civil dos Estados membros. O facto da população da África Austral não estar familiarizada com a SADC e seus actos só fundamenta de forma inequívoca a imagem impopular do organismo que vezes bastante varia entre o silêncio e a apatia nas questões cadentes da região, tal é a insegurança dos cidadãos face ao terrorismo competitivo, recorrendo-se em primeira instância à mercenários”, criticou a ND, que tem vindo a ganhar popularidade e aceitação desde a sua fundação.

No entender deste partido, dos poucos, senão o único, extraparlamentar que continua a fazer política activa fora do período eleitoral, a integração regional só é possível com políticas públicas comunitárias em que os cidadãos, mulheres e homens, os actores económicos e os parceiros percebem o carácter concreto da organização.

“A Nova Democracia defende que a integração regional permitirá remover os obstáculos conjunturais da exiguidade dos mercados nacionais, da pobreza e das desigualdades, permitindo aos produtores realizar economias de escala, beneficiando mais as infra-estruturas. Constata-se que a SADC nos moldes actuais é mais um clube de amigos distante dos seus povos”, sublinha o ND, através de um comunicado recebido na nossa redacção.

“É urgente reflectir também sobre a possibilidade de a transformar num instrumento de paz e desenvolvimento comunitário para lidar com efectivos laços de amizade em direcção a uma abordagem clara nas políticas de cooperação”, acrescenta.

Aquele partido defende ainda a eliminação da disparidade de legislação para assegurar um processo de integração justo e consolidado, que vá de encontro com os anseios dos cidadãos.

“Uma integração efectiva da região trará uma nova abordagem na harmonização de tarifas e na reforma do quadro legal regulador nos sectores estruturantes. Trata-se de situar a integração regional a nível dos cidadãos da comunidade e não dos governantes. Os chefes de Estados da SADC têm de ganhar esta dimensão política e jurídica para que a organização não seja um eterno clube de amigos irrelevante e insignificante aos olhos do cidadão. Assim, porque a esperança não pode morrer e inspirados no Nacionalismo Africano, felicitamos Moçambique pela presidência, augurando que use a oportunidade para mobilizar uma acção regional pela paz em Cabo Delgado e contribuir para o debate aberto sobre a SADC que queremos: uma SADC em paz, solidária, coesa, interligada e integrada”, conclui.

 

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