Saiba como e porquê é que dívidas ocultas passaram de 350 milhões passou para dois “bis”

Surjan Singh, former managing director at Credit Suisse Group AG, leaves Westminster Magistrates Court in London, U.K., on Friday, March 8, 2019. Singh is one of three former Credit Suisse bankers charged by the U.S. with helping to arrange more than $1 billion of hidden loans to Mozambique will fight extradition from the U.K. Photographer: Chris Ratcliffe/Bloomberg via Getty Images

 

O antigo director da Credit Suisse, Surjan Singh que ajudou a mobilizar o financiamento das dívidas ocultas revelou, esta Terça-feira, que o empréstimo originalmente concebido para Moçambique financiar a protecção da sua Zona Económica Especial (ZEE) foi de 350 milhões de dólares entretanto, o valor final das dívidas ocultas acabou por exceder 2 mil milhões de dólares.

Falando em  sede do julgamento de Jean Boustoni, no tribunal de Brooklyn, em Nova York, Surjan Singh revelou como ele e seus colegas na Credit Suisse mobilizaram mais dinheiro para aumentar o valor de comissões ilícitas que tinham a receber.

É que, segundo escreve o Bolentim do CIP, a Privinvest havia prometido aos colaboradores do banco suíço que iria pagar comissão proporcional ao valor de empréstimo mobilizado por cada colaborador. Foi assim que começou a corrida em busca de dinheiro dos fundos globais de investimento para conceder empréstimos à Moçambique.

“Do lado moçambicano, havia um ministro das Finanças chamado Manuel Chang, disposto a assinar garantias para avalizar os empréstimos, em troca de subornos milionários. E… um filho do presidente da República chamado Armando Ndambi Guebuza, que falava com o pai para dar apoio político ao projecto”, detalhou  Singh.

Surjan Singh mostrou como todo o esquema de corrupção começou e desenrolou-se. Segundo ele, depois que o projecto de protecção da ZEE foi aprovado pelo presidente Guebuza em Setembro de 2012 e comunicado ao CEO da Privinvest, Iskandar Safa, pelo então ministro das Finanças, Manuel Chang, em carta datada de 3 de Setembro de 2012, começou a mobilização de fundos para o seu financiamento.

Na carta citada, Chang informou ao CEO da Privinvest que Moçambique não tinha dinheiro para executar o projecto. Disse que o proponente do projecto – a Privinvest – devia se encarregar de arranjar financiamento, mas que estivesse dentro das capacidades financeiras do país.

A Privinvest já havia identificado um banco para financiar o projecto de protecção da ZEE de Moçambique: o Credit Suisse. Na verdade estava-se à espera da aprovação formal do projecto, para iniciar-se a busca pelo financiamento.

Refira-se que em declaração ao tribunal no dia 16 de Outubro, Andrew Pearse, outro funcionário do Credit Suisse que se declarou culpado no caso das dívidas, disse que o valor inicial de empréstimo aumentou de 350 milhões de dólares para mais de 2 mil milhões de dólares pois a Privinvest prometeu que quanto maior fosse o valor de empréstimos a mobilizar, maior seria a comissão ilegal a receber.

“A venda dos empréstimos e a venda dos títulos foram projectadas para maximizar o valor dos empréstimos que poderiam ser fornecidos para os projectos, e era importante para o réu (Jean Boustani) e para mim mesmo, que maximizássemos o tamanho dos empréstimos e, eu sabia que a única maneira de fazer isso era envolver investidores”, disse Pearse no dia 16 de Outubro.

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