Salomão Muchanga considera eleições gerais um autêntico terrorismo eleitoral

 

Contactado pelo Dossiers & Factos para reagir em torno dos resultados eleitorais que vão sendo divulgados a conta-gotas pelos órgãos competentes, Salomão Muchanga, líder do Nova Democracia (ND), classifica as eleições de 15 de Outubro como um autêntico terrorismo eleitoral. Para ele, estas eleições representam um retrocesso gravoso nos esforços de consolidação da paz e da democracia.

“Na óptica da Nova Democracia sãao a todos os níveis inúteis porque penalizam e subvertem a vontade popular, na medida em que houve roubos para alguns e enchimento para um”, disse Muchanga.

Sempre igual a si, o presidente daquele movimento cívico de cidadãos, que concorreu pela primeira vez nas eleições deste ano, com foco nas legislativas, denuncia a perseguição e detenção dos delegados de candidatura e fiscais do seu partido, e não só, sobretudo no momento de contagem de votos.

Segundo Muchanga, o processo todo foi marcado por violência, que culminou com a humilhação colectiva em face de resultados fabricados que se tem estado a assistir. Considera que são eleições inaceitáveis.

“Houve jovens detidos injustamente, troca de urnas e enchimento de votos. Nós entendemos que não é esta a forma de fazer a paz, porque esta é fruto de justiça e estas eleições representam um retrocesso gravoso nos esforços de consolidação da paz e da democracia”, sustenta.

Muchanga apela a todas forças vivas da sociedade uma acção enérgica para a reposição da vontade popular manifestada nas urnas.

 

Crítica aos observadores que legitimam a fraude

Num outro desenvolvimento, Salomão Muchanga critica a postura de algumas missões de observação nacionais e internacionais que se dizem independentes, mas que no fim apadrinham a fraude.

“Algumas missões de observação nacionais e internacionais já vem com minuta pronta com o discurso que vão fazer no final, ou seja, vem cá só para dizer que houve ilícitos mas não contribuem para o resultado final. Antes pelo contrário: aqui nem há resultados”, criticou.

Recorde-se que a missão de observação da União Europeia e da SADC, como sempre, declararam que as eleições de 15 de Outubro decorreram num clima ordeiro. Muchanga estranha a conivência cíclica de organizações como a Missão de Observação eleitoral da União Europeia, que representa países com um alto nível de integridade.

“Eleições como estas são um crime tratado até no Tribunal Penal Internacional. Este tipo de eleições na Europa não teriam nunca lugar. Pelo que não venham aqui dar lições de uma democracia de eleições que eles próprios lá reprovariam. É momento de deixarem o povo moçambicano tratar os seus assuntos. Aliás, isso não é de hoje, quer dizer: eles já vem com uma minuta gravada”, sugeriu.

Na ocasião recordou que estas eleições representam o resvalar de um esforço de manutenção da paz, pelo que, no seu entender, em vez de contribuírem para a pacificação do país este tipo de declarações atiçam o baril de pólvora sobre o nosso país e recomenda: “o silêncio destas organizações neste momento seria mais propício e recomenda-se”.

 

“CNE e STAE funcionam como anexo do partido-Estado”

No seu estilo característico, Muchanga não tem dúvidas de que as últimas eleições demonstraram o quão o Estado está capturado. Aliás, sublinha que “a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) funcionam como anexos do partido Estado”.

“Isto só mostra claramente que o adversário ele próprio é o dono do campo é o dono da bola, é árbitro, é o fiscal de linha e ele é que selecciona os assistentes da partida que devem entrara. É a todos níveis calamitoso e de brandar os céus. Quer com a Nova Democracia, quer com as outras forças políticas aconteceu o mesmo”, sustenta.

No seu entender estas manobras convocam os moçambicanos para um combate político sem precedente, nem paralelo na história contemporânea.

Questionado se concorda com quem defende que estas eleições devem ser anuladas, Muchanga foi peremptório: Isso é o que se espera de um país que quer sair das vicissitudes em que se encontra para se tornar um Estado normal.

“As eleições são um elemento para nos unir e não para dividir. As eleições devem servir de elo de estabilidade do Estado, mas as eleições no nosso país ciclicamente dividem os moçambicanos. São as piores eleições de sempre”, sublinhou.

Mais  Destaques

Scroll to top
Skip to content