Samora Machel Júnior notificado pela Frelimo

Samora Machel Júnior, filho do primeiro Presidente de Moçambique, foi recentemente notificado para ser ouvido pelo Comité de Verificação do Partido Frelimo, dirigido pelo antigo combatente da Luta de Libertação Nacional e actual governador da província de Maputo, Raimundo Diomba.

Supostamente, a audição surge no âmbito dos polémicos assuntos envolvendo o filho do primeiro Presidente da República.

O Dossiers & Factos não sabe ao certo se, na aludida audição, serão tratados casos como o da sua candidatura nas eleições internas do partido ao nível da cidade de Maputo, que foi chumbada em circunstâncias estranhas, ou mesmo sobre a sua recente missiva ao Presidente da República, Filipe Nyusi, que vazou na Imprensa, antes mesmo de chegar ao destinatário.

A verdade, porém, é que Samora Machel Júnior respondeu à notificação por escrito e submeteu ao competente órgão do partido, alegando indisponibilidade, supostamente por motivos de saúde.

Ainda na sua resposta, Samito, como carinhosamente é chamado, acrescentou que, segundo orientação médica, só poderá comparecer à referida audição em finais do mês de Março próximo.

Recordar que, em princípio, ao que se fala, está agendada para o próximo mês de Março a realização do Comité Central da Frelimo, no qual todos os membros deste órgão, e não só, esperam ver resolvidos todos os casos que envolvem a figura de Samora Machel Júnior, incluindo o seu futuro no partido.

A ideia, segundo apurámos, é criar um ambiente são à volta das próximas eleições, depois de Samito ter abordado os problemas do partido em praça pública, ao invés de usar os canais internos.

Fontes do partido a nível central apontam que, com esta justificação, Samora Machel Júnior, de forma voluntária ou não, terá baralhado o objectivo do Comité de Verificação do Partido Frelimo, pois, caso tivesse acontecido a referida audição, este órgão estaria em condições de produzir um relatório, que serviria de base para as discussões do Comité Central em torno das declarações e comportamento público de Samito.

Da candidatura chumbada à carta ao PR

Samora Machel Júnior, conhecido por uma postura mais reservada e, sempre que possível, longe dos holofotes, protagonizou, entre meados de 2018 e princípios deste ano, momentos polémicos que desafiaram, de certa forma, a estrutura do partido. Com razão ou não, facto é que em ambos episódios mexeu, de certa forma, com a figura do presidente do partido.

Tudo começa quando, na véspera das eleições autárquicas, este anunciou a sua intenção de concorrer a nível interno para ser o cabeça de lista da Frelimo na cidade de Maputo. Em meio a um processo de todo intransparente, a candidatura de Samora Machel Júnior, que contava, supostamente, com o apoio das bases, viria a ser chumbada, sem mesmo ser submetida ao escrutínio interno e sem nenhuma satisfação ao proponente.

Começava aí uma zanga deste com alguns membros do partido, como é o caso do então secretário do comité da cidade, Francisco Mabjaia, por não concordar com os critérios que ditaram o seu afastamento. Foi por essa razão que, numa atitude que não agradou à liderança do partido, acedeu ao convite da AJUDEM, para encabeçar a sua lista na corrida à presidência do município de Maputo, pretensão que viria a ser gorada, desta feita, pelo CNE e pelo Conselho Constitucional.

Depois deste processo conturbado, Samora Machel Júnior convocou a Imprensa para deixar ficar a sua insatisfação com a forma como foi gerido o processo que ditou o seu afastamento a nível interno, e deixou transparecer que estava de costas viradas com a liderança do partido.

Recentemente, Samora Machel Júnior voltou a causar alguns calafrios ao partido, com uma carta a Filipe Nyusi, que vazou nas redes sociais, antes de chegar ao destinatário, na qual apelava o PR à convocação de uma reunião magna, para discutir, sem reservas nem limitações, o estado actual do partido e do país.

Na missiva, Samora Machel Júnior criticou de forma aberta a liderança do partido e do país, bem como o envolvimento de altos quadros em escândalos de corrupção. Aliás, chegou mesmo a referir que o partido estava a viver uma crise profunda e, por isso, era tempo de se tomar acções decisivas e voltar a encarreirar o partido no caminho certo, ao lado do povo.

A sua exclusão, sem explicação, da corrida eleitoral para a escolha do cabeça de lista da Frelimo para as recentes eleições locais em Maputo, naquilo que interpretou como um “atropelo estatutário”, foi também um dos pontos que mereceu atenção na sua missiva.

Estes são, se calhar, os pontos que levaram o comité de verificação a intimar o filho do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, muito provavelmente para “colocar os pontos nos is” e ajudar a decidir sobre o seu futuro. A justificação apresentada por Samito é vista como sendo uma jogada estratégica para esperar as deliberações do Comité Central da Frelimo, órgão do qual faz parte.

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