“Se o treinador acha seu plantel inferior, melhor abandonar”

-Yassin Amuji ataca Semedo

 

Numa clara alusão ao treinador do Grupo Desportivo de Maputo, Artur Semedo, o presidente do Vilankulo Futebol Clube (VFC), Yassin Amuji, diz que alguns treinadores nacionais não têm discursos coerentes, pois quando perdem jogos, de forma contínua ou cíclica, preferem apontar dedos a terceiros.   Chega mesmo a sugerir que se um treinador achar que o seu plantel não tem qualidade para aquilo que são as suas qualificações, o melhor seria abandonar o futebol nacional.

 Texto: Neuton Langa

Ao seu estilo característico, nos últimos meses, o treinador do Desportivo de Maputo, Artur Semedo, tem vindo a fazer graves acusações contra algumas figuras ligadas ao desporto nacional, mas, de quando em vez, direcciona suas bactérias para o seu próprio plantel, o qual, no seu entender, não tem qualidade, e se a sua colectividade ganha jogos é devido exclusivamente às suas qualificações.

Esta posição, um tanto inusitada, tem vindo a merecer acesas críticas. Recentemente, numa curta entrevista ao Dossiers & Factos, Yassin Amuji considerou as recorrentes insinuações de Artur Semedo como sendo típicas do tipo de “pessoas que quando não sabem dançar, dizem que o chão está torto”.

“Se um treinador acha que está a prestar um favor ao nosso futebol ou que está a ser perseguido por que continua a insistir no nosso futebol? Em vez de propalar discursos populistas, deveria preocupar-se em garantir a manutenção no  Moçambola ou então se preocupar em melhorar a qualidade do futebol nacional, que vai de mal a pior”, atirou Yassin.

“Portanto, os treinadores devem olhar para as suas competências e fazer o seu trabalho, se achar que não tem condições de continuar no clube, é melhor abandonar, em vez de dizer que está sendo perseguido ou que os seus jogadores não o merecem”, acrescentou.

Na mesma senda, Yassin fez uma breve análise da prestação do Grupo Desportivo de Maputo no Moçambola 2019, dizendo que a qualidade do GDM é reflexo do futebol nacional.

No seu entender, o GDM está a ser vítima de uma conjuntura em que há algumas equipas que recebem patrocínio chorudo de empresas públicas e outras que não têm a mesma sorte.

“O que está a acontecer com GDM seria o mesmo se o VFC decidisse, hoje, entrar no Moçambola, muito provavelmente não iria continuar no ano seguinte, porque não tem uma estrutura financeira sólida e eficaz para permanecer no Moçambola, porque, se olharmos para  os orçamentos que os outros clubes de empresas públicas têm, fica difícil para qualquer clube ombrear com eles”, disse Amuji.

Por exemplo, segundo ele, “a vocação dos Caminhos Ferro de Moçambique (CFM) é abrir novas linhas ferroviárias, para melhor escoamento de carga. A vocação da EDM e da HCB é garantir a expansão da energia eléctrica no país. A ENH tem vocação de canalizar o gás para famílias moçambicanas. Mas essas empresas deixam de fazer aquilo que é a sua vocação  e passam a gastar rios de dinheiro num futebol sem nenhum resultado”, destacou.

“Abel Xavier não tem perfil para ser treinador”

Num outro desenvolvimento, Yassin fez uma breve análise da prestação do Madagáscar no CAN 2019, dizendo que os Mambas também podem surpreender, mas deve-se  ter pelo menos uma estrutura, o que não existe neste país.

No entanto, considerou que o seleccionador nacional, Abel Xavier, não tem perfil para treinar os Mambas, olhando para sua trajectória futebolística, antes de assumir os Mambas.

O curriculum de Abel Xavier, prossegue, não  serve nem para treinar um clube que milita no Moçambola, muito menos para uma selecção nacional de camadas de formação.

A dado momento, Yassin endurece mais a tónica para lembrar que o treinador da selecção tinha um contrato por objectivos, pelo que a FMF tinha obrigação moral de dispensá-lo, logo que falhou.

“Um exemplo de uma federação séria é do Egipto, onde o presidente tinha um objectivo, que era de vencer  o CAN, e mal a selecção perdeu com a África do Sul, simplesmente demitiu-se e demitiu toda a equipa técnica. Este é um exemplo que devemos levar em consideração, mostra que o dirigente está ciente da obrigação moral que tem para com um povo”, sublinha.

Aproveitando a deixa, Yassin convidou a direcção da FMF, liderada por Alberto Simango Júnior, a demitir-se e dar espaço a outros que queiram assumir o posto.

“Acredito que as gerações vindouras iriam gostar de ver os Mambas a vencerem um CAN e jogar um Mundial, porque esta direcção não vai a tempo de proporcionar essa alegria aos milhões de moçambicanos”, concluiu.

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