Sector da Educação necessita de mais de 28 milhões

Para reconstrução de salas de aulas no centro do país

Em entrevista exclusiva ao Dossiers & Factos, a ministra da Educação e Desenvolvimen- to Humano, Conceita Sortane, revelou que apesar de a situa- ção continuar complicada na zona centro do país, nalguns pontos, a exemplo da cidade da Beira, as aulas já retomaram, embora nem todas as escolas estão disponíveis, pois servem de centros de acomodação de desabrigados.

O sector da Educação foi um dos mais afectados pelo ciclone Idai e inundações que assolaram a região centro do país. Só para se ter uma ideia, foram perdidas acima de 3 500 salas de aulas, en- tre totalmente destruídas e dani- ficadas parcialmente.

Entretanto, o Ministério da Edu- cação e Desenvolvimento Hu- mano ainda não terminou de calcular as perdas em termos monetários, mas Conceita Sor- tane acredita que o custo para a reparação dos prejuízos será enorme.
“Em termos de valores, nós es- tamos ainda a fazer um cálculo, porque se sabe que temos de nos basear naquilo que é o custo de uma sala de aulas. Uma sala de aulas normal e resiliente está avaliada em cerca de oito mil dó- lares, então é só imaginar aquilo que serão os custos que iremos ter, depois de fazermos todo este processo”, refere.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estima que serão necessários pelo me- nos três meses para a recupera- ção parcial daquilo que foram os danos do Idai e das inundações, mas a ministra atesta que, para o seu sector, não é possível fazer uma reconstrução em três me- ses.
“O INGC lança esse desafio porque nós temos aquilo que chamamos de recuperação e reconstrução. Agora estamos a fazer algumas acções concre- tas de emergência, para que as crianças não fiquem sem aulas. Nós temos um programa e deve terminar até o final do ano. Os três meses preliminarmente de- finidos para recuperação parcial são encorajadores, pois, embora até lá não seja possível recuperar totalmente os danos, acredito que teremos toda a estabilidade para continuarmos com o pro- cesso de ensino e aprendizagem. Ao Dossiers & Factos, a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano assegurou que as aulas já retomaram em algumas zonas, com particular destaque para a cidade da Beira, onde só não en- traram em funcionamento todos os estabelecimentos de ensino porque algumas escolas ainda servem de abrigo dos que perde- ram tudo.

“Nós já retomámos, na semana passada, não em todas as escolas, sabe-se que as escolas estão a albergar pessoas que foram deslocadas, devido às cheias, então, nessas escolas onde ainda temos pessoas, não podemos começar com as aulas. É um processo e precisamos de ter as escolas vazias para podermos ter lá as crianças a estudarem”, afiançou. No caso do distrito de Búzi, onde o nível de destruição de infra-estruturas públicas e privadas foi severo, se calhar o local mais crítico, as aulas ainda não começaram, mas o Governo já tem na manga uma solução.

“Estamos a aventar a hipótese do uso de tendas para servirem de salas de aulas. Lá o cenário foi complexo. Houve muitos deslocados e outros estão na Beira. O que nós vamos fazer é que as crianças que estiverem com os pais, onde estiverem acomodados, se houver algumas escolas, essas crianças vão ser recolhidas para terem as suas aulas. Essas serão as estratégias para evitar esperar só porque não temos es- colas para as crianças irem. Não podemos fazer isso”, salientou.

E porque muitos alunos perderam vários dias de aulas por causa das circunstâncias em que se encontravam, ou se encontram, Sortane garantiu que haverá um programa especial de recuperação dos conteúdos, estando previstas aulas aos sábados e domingos.

Perdidos mais de 700 mil livros e mais de 10 mil carteiras em Sofala

O sector da Educação estima que, na sequência das intempéries que assolaram a região centro do país, foram perdidos pouco mais de 700 mil livros escolares e acima de 10 mil carteiras escolares só na província de Sofala, um quadro que pode ser mais catastrófico, tendo em conta que o fenómeno afectou as quatro províncias do centro do país.

“Temos um stock de 300 mil litros, já começámos a distribuir, mas já estamos no processo de reimpressão do livro, o que significa que este material vai ser reposto. Acreditamos também que, com algum esforço nosso e de nossos parceiros, a carteira escolar também vai ser reposta, porque perdemos também acima de 10 mil unidades, isso só em Sofala, imagine nas outras províncias”, salientou.

Neste momento, segundo a go- vernante, os alunos da região centro do país necessitam de apoio em material didático, como livros escolares, canetas, cadernos, quadros, entre outros para reforçar.

“Estamos ainda a angariar kits completos para que cada um tenha pelo menos o seu caderno, lápis ou caneta. Quadros pretos, brancos, verdes, móveis, etc. Tudo o que nos for oferecido, nós aceitamos, porque as nossas salas estão sem esse instrumento didático. Já temos alguns kits e estamos também a distribuir”, avançou.

Num outro desenvolvimento, fez saber que acima de sete mil professores perderam os seus haveres, suas residências e seus materiais didáticos.

Esses professores também precisam desse carinho, desse apoio por parte de todos nós, para que possam ir à sala de aulas e saibam que saem de suas casas em condições. Neste momento, temos a situação de professores que vão dar aulas, mas também precisam de apoio, então nós queremos que a sociedade possa apoiar nesse sentido, olhar para o aluno e para o professor, parao bem estar social, pedagógico e didático da nossa criança e da nossa sociedade em geral”, concluiu .

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