“Segredo” de Nyusi está a criar nervosismo nos camaradas

 

Vive-se, nas últimas semanas, um ambiente agitado e de alto nervosismo no seio dos membros do partido Frelimo, devido ao facto de, faltando poucos dias para a formação do novo governo, ninguém saber “quem é quem” na máquina do executivo que Filipe Nyusi, reeleito para um segundo mandato como Presidente da República, está a montar, diga-se, no segredo dos Deuses.

Texto: Dossiers & Factos

Tem sido prática, desde os tempos de Joaquim Chissano e Armando Guebuza, nas vérperas da formação de um novo governo haver consultas ao nível dos órgãos máximos do partido Frelimo e algumas figuras de proa, mas Filipe Nyusi, desta vez, não seguiu o ritual e o facto já está a enervar os camaradas.

Segundo apurou o Dossiers & Factos, de fontes reputadas dentro da Frelimo, nem mesmo a Comissão Política, órgão máximo do partido, foi consultado sobre os nomes que farão parte do novo governo. Entretanto, aventa-se a possibilidade de alguns veteranos influentes da inteira confiança de Filipe Nyusi terem sido consultados de forma individual.

Por essa razão, neste período de vésperas de nomeações vive-se um momento de grande suspense no partido Frelimo, pois nem os actuais ministros sabem se vão continuar ou serão ser movimentados para outros pelouros.

Entre os elegíveis e os que fazem corredores para “aparecerem” também há um suspense, por isso, quase todos remeteram-se a um turtuoso silêncio há mais de um mês, para evitar pronunciamentos que podem lhes comprometer.

Nalguns corredores, esta atitude de Filipe Nyusi tem sido encarrada como uma auto-afirmação como líder e uma tentativa de rompimento com algumas alas que sempre controlaram o partido dos camaradas.

Recorde-se que esta não é a primeira vez que Filipe Nyusi age sem consultar os “donos” do partido. Durante as negociações que culminaram com a assinatura do Acordo de Paz de Maputo, o PR isolou-se da ala radical do partido e manteve um diálogo directo e frutífero com Afonso Dhlakama, muitas vezes sem consultar os órgãos  da “gloriosa” Frelimo.

Foi, por isso, muitas vezes criticado internamente e alguns chegaram a torcer para que o diálogo não resultasse, mas a estratégia levou a entendimentos com Afonso Dhlakama e mais tarde com Ossufo Momade, culminando com o fragil acordo de paz de 6 de Agosto.

Refira-se que para além de nomeações de Ministros, Vice-Ministros e Secreetários de Estado, há também vacatura aberta nalgumas instituições do Estado e empresas públicas e tuteladas.

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