Segundo Leonel Manhique: “Com investimento, Moçambique pode tornar-se potência no mundo”

 

Tem apenas 37 anos de idade, chama-se Leonel Manhique, é um dos treinadores de basquetebol com mais títulos, entre nacionais e internacionais, ficando só atrás do recordista Nazir Salé. Recentemente, esteve, mais uma vez, ao serviço da Selecção Nacional de Basquetebol Sub 19, que, após a inédita qualificação, conseguiu um também inédito feito de alcançar os oitavos de final num Mundial da categoria, onde acabaria por perder diante da China. Interpelámo-lo nas vésperas do Mundial da modalidade, à margem da eufórica conquista do campeonato nacional, pela equipa sénior feminino do Ferroviário de Maputo, e, ao Dossiers & Factos, falou do actual estágio do basquetebol nacional, revelando que esta modalidade, sobretudo em femininos, está a trilhar o caminho certo.

Texto: Neuton Langa

No seu entender, o basquetebol feminino já deu as caras, e como prova da qualidade que existe no país, esta modalidade é das poucas, no que às colectivas diz respeito, que eleva o nome de Moçambique em África e no mundo.

Mas como um bom competidor, Manhique quer sempre mais, por isso defende que os clubes devem investir para tornar o basquetebol nacional atraente e com mais qualidade, capaz mesmo de elevar-nos ao patamar de potência mundial.

Fazendo uma radiografia do basquetebol nacional, com base nos últimos dois campeonatos nacionais, o técnico diz que houve uma grande evolução, razão pela qual hoje as equipas estão quase equilibradas.

“Os dois últimos campeonatos foram praticamente equilibrados, sendo que, no ano passado, assistiu-se a uma fase final diferente. Olhando para o desempenho dos clubes, o Ferroviário da Beira apresentou-se bem e viu-se um Ferroviário das Mahotas a ser finalista no campeonato da cidade de Maputo, diante do Ferroviário de Maputo, e perdeu por um parcial de três pontos na final. Este ano, também assistiu-se a uma grande evolução dos clubes, em termos de competitividade, como a presença do Ferroviário da Beira; viu-se também o percurso da A Politécnica, que conseguiu conquistar o campeonato da cidade de Maputo, e, se repararmos a presença do Costa do Sol, verificou-se que foi um campeonato bem disputado, onde os três grandes clubes tiveram sempre dificuldades de ganhar um ao outro”, descreveu.

No que diz respeito ao capital humano, Manhique lembra que o Costa do Sol é o único clube que buscou atletas estrangeiros, e as restantes equipas estão a trabalhar com atletas moçambicanos.

“Cabe a nós continuarmos a investir, porque se investiu muito para esse campeonato nacional, então precisa-se que este investimento seja durante toda a época regular, para darmos outra qualidade ao campeonato em si, e acredito que o basquetebol já está num bom caminho. E, se reparar, nos últimos quatro ou cinco anos, vê-se que estamos com uma média de três a quatro jogadoras que saem para fora do país, e o resultado é esse que estamos a verificar nos últimos tempos na selecção, pois, quando elas retornam, trazem uma outra qualidade e uma forma diferente de abordar o jogo”, salientou.

 

Em termos de títulos, fica só atrás de Nazir Salé

 

 

 

Os últimos dois anos foram de grandes realizações para o jovem técnico. Depois de comandar as guerreiras do sub 19, na campanha que levou à inédita qualificação para o Mundial da categoria, este ano, a nível interno, Manhique teve mais motivos para sorrir. Conquistou o seu quarto campeonato nacional, o que faz dele o segundo técnico com mais títulos nacionais.

Ao Dossiers & Factos, revelou que a qualificação ao Mundial era um dos seus principais desejos. “É sempre um desejo chegar ao mais alto nível e estar a trabalhar com equipas de outro nível, e isso faz parte de mim, é aquilo que eu tracei como objectivo; e isso passa pela minha maneira de trabalhar para atingir os meus objectivos, e acredito que, paulatinamente, vou fazendo isso”, disse, para depois acrescentar que o Mundial sub-19 serviria de plataforma para o país lançar seu nome e das atletas, em particular.

Para Manhique, um dos momentos mais marcantes no comando técnico do Ferroviário de Maputo foi o primeiro campeonato que venceu diante da antiga Liga Muçulmana, que era líder incontestável, há dois ou três anos. O segundo foi também pelo Ferroviário de Maputo, ao conquistar o Campeonato Africano de Clubes, no ano passado.

“Foi um prazer e privilégio conquistar o quarto campeonato nacional, na minha conta pessoal, e o sexto na conta do clube, de forma sequenciada, o que demonstra a capacidade e entrega das atletas e do treinador”, refere.

Leonel Manhique é natural da cidade da Matola, começou a sua carreira com 16 anos de idade, na Escola Secundária da Matola. A primeira porta que se abriu foi o torneio inter-escolar Basquete Show, onde, das sete edições, Manhique venceu cinco, duas pela Escola Secundaria da Matola, duas pela Zona Verde, e uma pela Josina Machel.

Em 2005, foi incumbido para dirigir a Selecção Provincial de Jogos Escolares em Tete. No entanto, depois dessa passagem pelos jogos escolares e pelo Basquete Show, rumou ao Ferroviário de Maputo, onde se tornou técnico-adjunto da equipa sénior masculina,  na altura dirigida por Carlos Jaque, e no mesmo ano foram campeões nacionais. No ano seguinte, em 2010 ou 2011, foi convidado para ser o treinador principal da equipa sénior em femininos e juniores também em femininos.

No primeiro ano, na equipa sénior em femininos conquistou o terceiro lugar, e no segundo ano, assaltou o título nacional, diante da antiga Liga Muçulmana, e daí para frente começou a somar títulos. Em 2016, disputaram o Campeonato de Clubes Africanos   e ficaram em terceiro lugar. 

Em 2017, disputaram novamente o campeonato africano que se realizou em Maputo e ficaram em segundo lugar, e desta feita o mister mostrou a sua evolução daquilo que era o seu potencial ao nível de África. Como corolário desse trabalho, em 2018, levou o clube à conquista do Campeonato de Clubes Africanos.

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