FORAM COLEGAS NO SPORTING: Goncalves Fumo pede apoio a CR7 para o seu projecto de formação

  • “O pouco que ficou investi na minha academia e espero ter retorno”
  • “Partilhar o balneário com Cristiano Ronaldo foi um momento único”

 

Gonçalves Fumo ou simplesmente Fumo, como era tratado pela Imprensa desportiva portuguesa, em entrevista exclusiva ao Dossiers & Factos, diz que ganhou dinheiro jogando futebol profissional, mas investiu em negócios que não deram certo. Um dos exemplos de que o antigo internacional moçambicano e jogador do Sporting de Portugal se arrepende é ter investido o seu dinheiro no sector imobiliário. Hoje, vive em Maputo e dedica-se à sua academia, que tem o seu próprio nome, de onde algum dia espera ter retorno.

Texto: Arão Nualane

Gonçalves Carlos Fumo é o seu nome completo, agora com 40 anos de idade. Mais conhecido por Fumo, em Portugal, lançou-se para a ribalta pelo Maxaquene, e mais tarde transferiu-se para o futebol profissional pela porta do Sporting de Portugal, onde viveu os momentos áureos da sua carreira e teve a chance de partilhar balneário com jogadores mundialmente conhecidos, como Cristiano Ronaldo, embora este ainda estivesse nos escalões de formação.

Conhecido pelo seu remate portentoso com o seu pé esquerdo, o que fez dele um excelente marcador de golos, qualidade que lhe valeu um lugar na Selecção Nacional de Futebol, os Mambas, actualmente é reformado, há mais de cinco anos, e dedica o seu tempo à sua academia, que tem o seu nome, no Zimpeto, Khongolote e na cidade da Matola. Em entrevista ao Jornal Dossiers & Factos, reconheceu que, quando estava no activo, ganhou muito dinheiro, mas aplicou “em algumas coisas que não deram certo”.

“Tentei investir na indústria imobiliária, contudo, não deu certo, mas também não tenho do que me queixar. Fiz alguma coisa vistosa, que é a minha academia, e gastei com outras coisas do dia-a-dia. Mas a verdade é que não entrei neste projecto para perder, mas sim para vencer. Sei que irei ganhar mais tarde e vou ajudar mais pessoas, porque estou a fazer um trabalho da nação”, justiçou a sua actual batalha.

“No futebol, jogamos para fazer a vida, e é triste quando alguém no fim da carreira não tem onde dormir ou passa necessidade. Eu, hoje, não tenho muito, mas consigo ajeitar-me, e só posso agradecer por aquilo que Deus me deu”, acrescenta.

Embora a sua visão seja mais virada para o futuro, Fumo disse à nossa equipa de reportagem que consegue ganhar algum dinheiro com equipas que vêm para o seu “viveiro” buscar atletas.

“Nós gastamos o dinheiro que não temos, usamos o conhecimento, por isso temos que ter retorno. Não podemos formar para depois entregar aos clubes sem ter nada em troca”, justificou o antigo jogador leonino, acrescentando que não tem dúvidas de que em Moçambique há clubes que pagam bem e é possível viver de futebol, mas insta os novos atletas a saberem aplicar o que ganham, uma vez que a carreira de um jogador é muito curta, e o jogador em pouco tempo tem que aproveitar o máximo.

Espero que um dia Cristiano Ronaldo me ajude

Fumo num doelo, durante o jogo entre Naval e Varsim – Portugal

O nosso entrevistado explica que quando chegou a Portugal, na equipa sportinguista, foi bem recebido, apesar de não ter sido fácil adaptar-se, por causa do clima, que é muito frio. Lembra que chegou uma fase em que as inscrições estavam fechadas, e foi para o Lourinha, uma equipa satélite do Sporting.

“Fiquei pouco tempo, porque um mês depois o Sporting decidiu fazer um jogo-treino connosco, e despertei a atenção da equipa técnica do Sporting, que decidiu que não devia continuar a treinar na equipa satélite, mas sim passar para a equipa principal. Na altura, estreei contra o Benfica”.

Para o nosso interlocutor, um dos momentos altos nos “Leões” foi ter partilhado o balneário com grandes jogadores e criar amizade com Cristiano Ronaldo, Quaresma, Rui Jorge, Pedro Barbosa, César Prates, Ducher, Peter Schmeichel, Beto Acosta, entre tantos outros.

“Lembro-me que houve um ano, último mundial realizado na África do Sul, onde eu e Cristiano Ronaldo nos encontramos, conversamos e perguntou-me se precisava de algum apoio, mas, na altura, disse que não precisava, porque ainda estava bem”, recordou o ex-jogador dos Mambas, que agora pede apoio ao astro português para a academia que dirige.

“Tenho miúdos jogadores com muito talento e são acompanhados por jovens treinadores com muita paciência e que se sacrificam pelo projecto”, argumentou o motivo do pedido

“Estou a trabalhar em situações precárias”

Pequenos craques da Academia Gonçalves Fumo, dando o gosto ao pé

Mais adiante, o ex-companheiro de Cristiano Ronaldo diz que todo o apoio para a academia é bem-vindo, porque estão a trabalhar numa situação precária, a começar pelo campo, localizado perto da Escola Secundária Quisse Mavota, ao longo da Avenida Nelson Mandela, cujo piso precisa ser alisado por uma niveladora.

“Para quem quer jogar amanhã no Estádio Nacional do Zimpeto e almeja ter voos internacionais pode ser difícil, e apelamos ao município para intervir, porque é aqui onde pretendo que o projecto da academia aconteça, porque são os nossos filhos que precisam de apoio”, apelou.

O patrono da academia afirma que no passado já trabalhou com cerca de quinhentas crianças, mas pretende reduzir para 125, sendo que os atletas estão distribuídos em infantis, iniciados, juvenis e juniores, que participam no campeonato da cidade.

“O que mais nos interessa não são os resultados nos jogos, mas a correcção de erros, que têm que ver com aspectos tácticos e de posicionamento em campo”, esclareceu.

“Má gestão deixou o meu Maxaquene na segunda divisão”

No que tange ao início da sua carreira, Gonçalves Fumo destacou-se muito cedo no torneio infanto-juvenil BEBEC, com 9 anos de idade, no Zimpeto. Foi crescendo e depois ingressou nas camadas de formação do Clube de Desportos do Maxaquene, equipa do seu coração, que o projectou para o “estrelato”, pela mão do já falecido empresário Simão.

No Maxaquene cresceu profissionalmente, conta que, contra a equipa sul-africana Orlando Pirates, no jogo da 1ª e 2ª mão das competições africanas, fez um grande jogo, e os sul-africanos queriam que fosse para a equipa deles, mas optou pelo Sporting de Portugal.

Durante a entrevista, não perdeu a oportunidade de comentar sobre a descida da equipa tricolor para a segunda divisão, sustentando que é triste e não é fácil ver a equipa a ser despromovida do escalão máximo do futebol moçambicano.

“Nunca pensei, em momento algum, que o Maxaquene pudesse estar naquela posição, porque me fez crescer como homem e profissionalmente”.

Para Gonçalves, as pessoas brincaram com o clube, isto é, não foi bem gerido e faltou colocar o clube onde merece.

“Um clube que tirou jogadores como eu, Genito, Chiquinho Conde, entre outros bons, não faz sentido estar naquelas condições. Acho que o grande problema também é porque as pessoas não remam para o mesmo sentido, situação que mostra a falta de união no clube”, criticou.

Para Fumo, as pessoas que estão a gerir o Maxaquene não podem criar alas, para a equipa voltar ao campeonato principal o mais rápido possível.

“O grande problema é que há pessoas que estão no Maxaquene e só pensam nelas e não no clube. Quando é assim, nunca se vai para frente.

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