STAE garante estar tudo a postos para o “espectáculo” de amanhã

  • Ataques em Cabo Delgado aumentam cepticismo

Os quase treze milhões de eleitores inscritos vão às urnas amanhã, para escolher o próximo Presidente da República, os deputados da Assembleia da República, das assembleias provinciais e, pela primeira vez, os governadores provinciais. Apesar do receio que existe, devido à impermeabilidade de alguns locais e aos ataques em Cabo Delgado, o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) garante que estão criadas todas as condições logísticas para que as eleições ocorram em todo o território nacional.

A garantia foi dada pelo porta-voz daquele órgão, Cláudio Langa, que assegurou haver condições para que as 20.570 mesas de assembleias de voto, das quais 20.162 no território nacional e 408 no estrangeiro funcionem sem sobressaltos.

Aliás, até ao fecho deste Jornal, na passada sexta-feira, já havia garantias de que o material eleitoral já se encontrava em todos os distritos e que até esta segunda-feira seria distribuído pelas mesas, para que até às 7:00 horas da manhã todas as mesas estejam abertas para acolher os 12.945.921 eleitores.

Para dirigir o processo, foram já contratados 143.990 membros das mesas de votação (MMVs), dos mais de 160.000 candidatos formados em todo o país.

“Os cadernos eleitorais já foram impressos na sua totalidade, sendo um original e uma réplica para o uso no exterior das assembleias de voto. Igualmente, já foram entregues a todos os concorrentes as cópias electrónicas dos cadernos eleitorais”, sublinhou Langa, garantindo que a base de dados dos eleitores será disponibilizada nos próximos dias, no website dos órgãos eleitorais.

Acerca da credenciação, disse que já foram credenciados 19.900 observadores nacionais, 390 internacionais, 2.100 jornalistas nacionais e 85 jornalistas internacionais. Refira-se que, até ao fecho desta edição, observadores de organizações como CIP, IESA, entre outras, que passaram a ser combatidas pelo regime, ainda não haviam sido credenciadas.

A este respeito, Cláudio Langa referiu que estava em curso o trabalho de credenciação dos observadores nacionais e internacionais, mas adiantou que nem todos seriam credenciados a tempo de observarem as eleições de amanhã.

Para o transporte, colocação e recolha dos MMVs e dos materiais eleitorais, assegurou a disponibilidade de viaturas alugadas, bem como viaturas dos governos provinciais e distritais. Igualmente, dispõe de motorizadas, barcos e dois helicópteros.

Refira-se que os helicópteros serão alocados às zonas de difícil acesso, dentre as quais aquelas que foram afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth.

 

Das ameaças de Nyongo ao terror em Cabo Delgado

Desde 1994, nunca antes um processo eleitoral decorreu debaixo de tanta incerteza e ameaças quanto este ano. Os ataques esporádicos de grupos armados não identificados, que se supõe que sejam da Junta Militar da Renamo, em Manica, Sofala, Nampula e Tete, vieram juntar-se à barbárie que há dois anos vem sendo protagonizada por insurgentes em Cabo Delgado.

Este espectro de insegurança tem vindo a alimentar um certo cepticismo em relação a este processo eleitoral, pois acredita-se que muitos eleitores poderão não afluir às urnas nas zonas em conflito, para evitarem ser vítimas dos ataques.

Várias organizações e observadores internacionais lançaram sérias dúvidas, sobretudo em relação a Cabo Delgado, onde um grupo de insurgentes tem vindo a protagonizar ataques contra populações de alguns povoados, incendiando casas e degolando pessoas. Estima-se que mais de duas centenas de pessoas possam ter morrido e milhares estejam deslocadas, ou seja, longe dos locais onde se recensearam.

Entretanto, em relação à situação de Cabo Delegado, o STAE finca o pé na retórica de que há condições para que todas as mesas possam funcionar e garante que “a população que abandonou a sua zona de origem recenseou na sede do distrito e é lá onde ela vai exercer o seu direito de voto”, sublinhou.

De referir que, na semana passada, como que a preparar o terreno, as Forças de Defesa e Segurança (FDS), num comunicado triunfalista, revelaram que “acertaram um golpe de artilharia contra malfeitores na região de Mbau, entre os rios Messalo e Muera, no distrito de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, que resultou no aniquilamento de um número considerável dos malfeitores, destruição do acampamento e fuga desordenada dos sobreviventes. As operações prosseguem e as Forças de Defesa e Segurança continuam em prontidão combativa.”

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