Submissão da candidatura da Frelimo transformada em evento de Estado

O partido Frelimo, submeteu, esta Quinta-feira, ao Conselho Constitucional a candidatura de Filipe Nyusi a Presidente da República, nas eleições de 15 de Outubro próximo, um acontecimento partidário transformado num evento de Estado, com direito a transmissão em directo na Rádio Moçambique (RM) e TVM.

É uma vassalagem que os moçambicanos estão sendo habituados a aceitar quando os eventos deste partido ocorrem, mas o mais grave deu-se logo cedo, quando chegou nas redacções do principais órgãos de comunicação social do país, um comunicado da Presidência da República pedindo cobertura daquele evento.

“O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, testemunha amanhã dia 06 de Junho de 2019 pelas 9:00 horas, no Conselho Constitucional, a entrega da candidatura do candidato da Frelimo às Eleições Gerais, Legislativas, agendadas para 15 de Outubro”, lê-se no comunicado que suscitou logo de imediato várias reacções.

Sectores mais críticos defendem que tratando-se de um evento de foro partidário, a imprensa não devia ter sido convocada pela Presidência da República. Alguns chegaram mesmo a questionar se o mais alto magistrado da nação iria honrar os candidatos dos outros partidos com a sua presença durante a submissão das suas candidaturas.

Por outro lado, a RM e a TVM, na qualidade de empresas públicas, sobrevivem dos impostos dos moçambicanos, e esta actuação, num contexto eleitoral, é interpretada na esfera pública como sendo uma forma flagrante de promover a imagem do candidato da Frelimo, pontapeando, os regulamentos de tempo de antena, ao transmitir em directo a submissão da candidatura da Frelimo e para os outros não.

Ademais, o regulamento do direito de antena, que acompanha a lei de imprensa refere que “os partidos políticos representados na Assembleia da República têm direito a tempos de antena na radiodifusão e televisão nacional.

De um modo geral o regulamento Comissão Nacional de Eleições sobre distribuição dos tempos de antena determina a igualdade de tratamento para que os canditatos sejam parte integrante.

Recorde-se que na altura, a presidente da Assembleia da Republica, Verónica Macamo, na qualidade de mandatária da Frelimo, disse que o partido vai continuar a dirigir os destinos do país, “nós organizamo-nos para o efeito”.

Mais  Destaques

Scroll to top
Skip to content