SURTO DE CORONAVÍRUS NA CHINA: Risco de importação do vírus para Moçambique existe, mas, é reduzido

 

O Ministério da Saúde (MISAU) disse que Moçambique não está isento de ser atingido pelo Coronavírus, uma doença que tem como epicentro a China e que está a se alastrar por vários países do mundo. Segundo o MISAU, o país não está isento de risco, devido ao modo de transmissão da doença, que coloca todos os países do mundo em estado de alerta.

Texto: Lídia Cossa

O MISAU explicou que está em contacto permanente com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e acompanhando a evolução da situação a nível global, em particular na República Popular da China e irá emitir comunicados regulares para manter a sociedade informada, utilizando os meios de comunicação formais.

De acordo com a fonte, estão em curso actividades de intensificação da vigilância nos pontos de entrada internacionais, incluindo a avaliação da temperatura, informação e educação para a saúde, sobre as medidas de higiene individual e colectiva, sensibilização dos passageiros provenientes da região afectada para a permanência em quarentena domiciliar voluntária nos 14 dias após o regresso e a para a procura imediata de cuidados de saúde em caso de sintomatologia.

O MISAU disse também que está a criar condições para diagnóstico laboratorial, bem como para o isolamento dos casos.

Os coronavírus (CoV) pertencem a uma família de vírus que causam doenças que variam entre as gripes comuns e as doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERSCoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV).

No dia 31 de Dezembro de 2019, a República Popular da China reportou à OMS a existência de casos de pneumonia de etiologia desconhecida detectados na Cidade de Wuhan, Província de Hubei, e a 7 de Janeiro de 2020 foi identificado um novo coronavírus (2019-nCoV) como causador da doença.

Até ao dia 27 de Janeiro, foram confirmados um total de 5.794 casos suspeitos, dos quais 2.798 foram confirmados e 80 óbitos. Foram confirmados outros 37 casos da China (tabela 1), dos quais 36 referiram história de viagem a este país e 34 à Cidade de Wahan.

Até ao momento, ainda é escassa a informação sobre o 2019-nCoV. Vários grupos técnicos de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS) continuam a investigação sobre a severidade dos casos e medidas de prevenção específicas para a prevenção da infecção por esta nova estirpe.

O Comité de Emergência da OMS, reunido a 23 de Janeiro, decidiu que com base nas avaliações de risco actuais, o 2019n-CoV é uma emergência de saúde pública na China, não tendo critério para declaração de uma emergência de saúde pública de carácter internacional. A OMS continua a monitorar a situação epidemiológica e conduzir avaliações de riscos com base nas informações mais recentes disponíveis. Este comité votará a reunir-se dentro de dias.

A OMS não recomenda restrições de viagem ou a implementação de outras medidas de saúde específicas para os viajantes. No caso de sintomas sugestivos de doença respiratória durante ou

após uma viagem para as áreas afectadas, os viajantes devem procurar atendimento médico para diagnóstico e tratamento precoces.

As autoridades de saúde devem trabalhar com os sectores de migração, transporte e turismo para fornecer aos viajantes informações para reduzir o risco geral de infecções respiratórias agudas, e o reforço a vigilância nos pontos de entrada. A OMS encoraja o reforço das medidas de higiene individual e colectiva.

Risco de importação do vírus para Moçambique existe mas reduzido

Segundo o Doutor Jorge A. H. Arroz, Médico, Mestre em Saúde Pública e Doutor em Saúde Internacional – especialista em Saúde Pública Tropical Membro 139 da Ordem dos Médicos de Moçambique, o grupo de Coronavírus não é um grupo de vírus novo. Os coronavírus são um grupo de vírus de genoma de RNA simples, conhecidos desde meados dos anos 1960, e podem infectar tanto seres humanos como animais.

Os casos mais sonantes de surtos anteriores são Coronavírus responsável pela Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS-Cov), em 2002 e 2003, e que resultou em 8.096 casos e 774 mortes (taxa de letalidade de 9,6%) e que afectou 37 países;

Coronavírus responsável por Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-Cov), desde Setembro de 2012, e que resultou, até finais de Novembro de 2019, em 2.494 casos com confirmação laboratorial e 858 mortes associadas ao MERS-CoV, reportados em 27 países.

Segundo o especialista a probabilidade de importação do vírus para Moçambique existe, embora seja reduzida, tendo em conta as rotas de voo partindo de Wuhan.

O facto de ser um risco de importação reduzido, não significa que não exista esse risco (rotas indirectas) e devemos estar em alerta e monitorizando a situação, implementando medidas de prevenção, tais como: educação sanitária, medidas de higiene individual e colectiva, rastreio da febre junto as fronteiras, treino de profissionais de saúde e adopção de directrizes da OMS adaptadas ao contexto de Moçambique.

As infecções respiratórias virais, embora mais frequentes no inverno (época fria), são relativamente comuns na época quente, principalmente quando se regista variações bruscas da temperatura ambiente.

O importante é mediante sintomatologia de gripe, deve-se procurar imediatamente cuidados de saúde e iniciar medidas de tratamento não medicamentoso em casa, como por exemplo: tomar muitos líquidos (água, chá, sumos, etc) e lavagem frequente das mãos com água e sabão (ou cinza).

Se teve história de viagem internacional recente, deve informar isso ao profissional de saúde que o atende.

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