Tchaca Waka Bantu defende valorização das línguas tradicionais

Com o objectivo de estimular a valorização das línguas nacionais pelas camadas mais jovens, o poeta moçambicano António Cumabe, vulgarmente conhecido por Tchaca Waka Bantu, encontra-se a preparar um CD de áudios de poesia em línguas nacionais, intitulado MabolelaYa Nkhancu, onde o artista faz uma fusão de línguas tradicionais da região sul, centro e norte do país.

Em conversa com o Dossiers & Factos, Tchaca Waka Bantu explicou que a produção do CD advém do facto de o poeta ter se apercebido que os jovens gradualmente estão a perder suas identidades linguísticas, pois encontram-se distraídos com as línguas estrangeiras e acabam se esquecendo das línguas nacionais.

Nessa senda, segundo ele, pretende servir de exemplo, mostrando o valor que as línguas possuem e, dessa maneira, colmatar paulatinamente situações de jovens que não conhecem e não sabem  comunicar-se nas línguas maternas.

“Nesta obra, trago uma mistura de linguagens, o meu sentimento poético será expresso mediante uma combinação dos idiomas nacionais. Quero fazer com que todos as conheçam, através da poesia”, explicou.

Tchaka Waka Bantu, oriundo do bairro Chamanculo, é um artista versátil, todavia, nos últimos 10 anos, tem trabalhado e se notabilizado na composição e declamação de poesia,  com maior enfoque em versos escritos em língua bantu.

“A língua é a identidade de um povo e é o espelho da alma do mesmo. Conhecemos as comunidades através dela e é daí que eu tenciono trabalhar com as línguas vernaculares, para que as pessoas possam conhecer-nos através delas”, acrescentou.

O autor de poemas como “Hosi Nyamutla Pfumela”, “Murhandziwa”, entre outros, inspira-se nos assuntos sociais para as suas composições. Entra no universo artístico primeiramente como fazedor de hip-pop na sua língua materna, o xichangana.

Cultura não é só música

No entender do poeta, nos dias de hoje, em Moçambique, os patronos da área cultural dão primazia à música, em vez de criar um equilíbrio entre as diferentes manifestações artísticas.

“Os mecenas estão todos focados na música, ela é que tem maior percentagem de apoio do que a literatura, a dança e outras artes. Como é que estas manifestações artísticas poderão evoluir, se não são apoiadas?”, questionou.

Segundo o poeta, isto se deve ao facto de muitos gestores culturais não possuírem formação ou conhecimentos de gestão cultural e, mesmo assim, serem indicados para administrar patrimónios artísticos, sem nenhuma experiência na área e, por consequência, arruínam a arte.

“Vivemos num país em que levam pessoas que não possuem formação ligada à cultura para cuidar da mesma e, como resultado, não fazem devidamente o seu trabalho”, repreendeu.

O autor do poema “Hosi Nyamutla Pfumela” defende a criação de grupos culturais nas escolas e bairros, de modo que os jovens possam ser educados dentro do espírito artístico e que possam desenvolver-se culturalmente.

“Os que cuidam do património cultural devem apostar em todas áreas, promover saraus culturais para que os mais novos possam aumentar a sua bagagem nessas matérias, instigando-os a serem Craveirinhas do amanhã”, comentou.

Com intenção de ver, no futuro, um Moçambique com uma alta qualidade cultural, o poeta recomenda que os patrimónios sejam representados por indivíduos que entendem de arte, de modo darem suporte aos artistas.

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