Transportadores ameaçam paralisar o transporte de bens e mercadorias

 

A Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala  (ASTROS) ameaça paralisar as actividades de transporte de passageiros e mercadorias, face aos constantes ataques armados registados nas estradas nacionais nº 1 e 6 (EN1 e EN6), uma vez que estão a acumular enormes prejuízos, entre danos materiais avultados e humanos.

Texto: Aristides Mbofana

Falando numa conferência de imprensa, na Beira, depois de um encontro de balanço anual da associação que explora o Corredor da Beira, uma das importantes vias de escoamento de pessoas e bens, Henriques Castro disse que a medida tem em vista exigir que Governo arranje uma solução urgente para o problema que consideram “vergonha nacional”.

“Estamos muito preocupados. Aliás, é um assunto que debatemos anteriormente. É preocupante para todos que dependem do Corredor da Beira e das estradas para trabalhar”, disse a fonte.

Castro disse ainda que os ataques registados no centro do país não só afectam os transportadores, mas também a imagem do país, bem como os clientes que gostariam de usar o Corredor da Beira para transportar suas mercadorias para vários países do hinterland.

“Aproveitamos aqui esta oportunidade para pedir às autoridades para que rapidamente possam devolver a credibilidade que tínhamos antes, e que façam esforços para se ultrapassar esta situação” frisou.

O apelo de uma das principais associações de transportadores do país surge numa altura em que os ataques armados tendem a aumentar nas províncias de Sofala e Manica, tendo como alvos preferenciais os autocarros de passageiros e camiões de mercadorias.

Recorde-se que, há dias, três camiões de mercadorias foram atacados na zona de Muda Serração, tendo um dos camiões ficado carbonizado. Desde o arranque dos ataques em Agosto último, transportadores de Sofala, Manica e de outros pontos do país que usam a EN1 e EN6 estão a somar milhões em prejuízos, sobretudo devido à destruição total ou parcial das suas viaturas.

“Nós olhamos para a situação com preocupação, porque os nossos camiões, uma vez queimados, não são restituídos. Vocês sabem que os seguros não prevêem a restituição de uma viatura danificada em situação de guerra”, lamentou Castro, acrescentando que “é uma perda total, num contexto em que com muito esforço os transportadores conseguem comprar as viaturas. Quando são queimadas ou danificadas os prejuízos são enormes”.

Entretanto, Castro garante que enquanto aguardam uma atitude do Governo nas próximas semanas, vão continuar a transportar passageiros e mercadorias para as províncias e distritos, mas advertem para “que o Governo encontre uma solução urgente”.

Uma provável paralisação dos serviços de transporte de passageiros e mercadorias por aquela associação, que congrega transportadores nacionais e internacionais, que maioritariamente exploram o chamado Corredor da Beira, que liga o Porto da Beira ao resto do país, mas também aos países do hinterland, pode ter uma grande implicação na economia de Moçambique e de outros países, como a Zâmbia e o Zimbabwe.

Recorde-se que, só esta semana, um autocarro e dois camiões foram atacados na Estrada Nacional Número Um (EN1). Dois desses veículos terão ficado carbonizados, gerando enormes prejuízos aos seus proprietários.

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