Transporte público de passageiros: área metropolitana de Maputo continua com défice de transporte

 

A Empresa Metropolitana de Maputo reconhece que o sector de transporte de passageiros, em Maputo, continua com problemas, apesar de já ter cumprido em 90 por cento o plano estabelecido há sensivelmente um ano, aquando da criação daquela instituição. Esta informação foi dada a conhecer ao Jornal Dossiers & Factos pelo seu Presidente do Conselho de Administração (PCA), António Matos.

Texto: Serôdio Towo

Num breve balanço sobre os trabalhos da Empresa Metropolitana de Maputo, cerca de um ano depois do início das actividades, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Metropolitana de Maputo, António Matos, entende que melhor avaliação deve ser feita pelo público do grande Maputo, embora não tenha deixado de tecer algumas considerações, dizendo que, “desde a nossa existência, fizemos um plano que já está comprido em quase 90%.”

Matos explica que o primeiro desafio que a instituição teve foi desenhar ou conceber a rede estrutural da área metropolitana. Clarifica que a empresa não opera apenas ao nível da cidade de Maputo. A mesma estende-se até às vilas autárquicas da Manhiça, Boane, indo até à Ponta do Ouro, numa área bastante extensa, estimada em mais de 2000 Km,  com cerca de três milhões e trezentos mil habitantes.

Apesar de várias acções já levadas a cabo com vista à inversão do cenário caótico que caracterizava o sector dos transportes, a fonte reconhece que a área metropolitana de Maputo continua com défices de transporte público de passageiros, aliados à degradação das estradas, pelo que pretendem minorar o sofrimento dos passageiros, com mais trabalho e introdução de uma gama de inovações e estratégias.

“Saímos de uma situação em que só havia vinte rotas oficiais para as actuais 74 rotas. Aumentámos a cobertura geográfica em 43%, este é o resultado final. Estamos agora a recolher dados para ver se a estratégia se adequa ou não. Provavelmente vai ser alterada dentro de algum tempo”, perspectivou.

“O défice na comunicação entre sectores provocava confusão”  

O outro ponto levantado pelo PCA é que havia um vazio de comunicação, e explica: “antes de nós nascermos, o município, a direcção provincial, a direcção municipal ao nível dos governos da cidade e província de Maputo, o ministério, todos mandavam. Então, alguém podia ter de uma única vez licenças da Matola, Boane, Manhiça a inter-provincial ou inter-distrital”, e esta situação, nas palavras de Matos, provocou uma série de confusão.

Então, como tudo se resolve na base do diálogo, houve um trabalho para se poder ultrapassar a confusão entre as instituições. “Tentamos melhorar esta coordenação institucional, dando lugar ao que a lei diz quando nos criou, mas procurando fazer entender às pessoas que não estamos aqui para roubar o trabalho de ninguém. Estamos aqui para ser um único coordenador, e isso quer dizer que deixou de haver vários sítios de transporte público e dos passageiros na rede estrutural, para só haver um órgão que deve ser chamado à responsabilidade, porque, antigamente, nós tínhamos essa dificuldade.”

Ainda na sua explanação, fez saber que Maputo, Matola, Boane, Marracuene, todos eles estavam a fazer os seus planos um pouco de costas voltadas uns com os outros, um aspecto que era também preocupante.

“Vias de acesso são um problema sério”

 

 

No que concerne às vias de acesso, o nosso entrevistado confirma que constataram que existiam zonas em que as estradas não estavam boas, daí que não ficaram à espera do Estado para resolver o problema.

“Imediatamente, quando nós começamos a desenhar redes, identificámos que haviam muitas zonas que não tinham estradas. Tínhamos duas opções, ou ficávamos sentados à espera que o Estado colocasse estradas em todo o sítio, ou então tomávamos uma atitude mais activa. Inventámos o carro misto, quer dizer, toda a cabine é desenhada, calculada e produzida por moçambicanos. Convidámos algumas empresas e já temos o carro misto”, orgulhou-se, para depois prometer: “Então, vamos colocar carros na ilha de Inhaca, vamos colocar carros a servir à população da península de Machangulo, à população que está na Katembe, que agora tem uma grande estrada que liga à Ponta do Ouro, e vamos igualmente colocar outros em Boane, assim como na zona da Santa Isabel, Boquisso”.

Entretanto, sob ponto de vista financeiro, foram conseguidos, até este momento, 22 carros, e serão colocados ao serviço dos operadores privados e públicos.”

Impacto do projecto é mais importante que o dinheiro

Dados avançados por Matos indicam que, no total, este projecto irá custar cerca de USD 1 milhão e tem um impacto grande, mas foi peremptório ao dizer que prefere pensar mais no impacto do que no dinheiro.

“Antes, tínhamos seis cooperativas e hoje temos nove. Antes tínhamos duas empresas municipais de transporte, hoje temos cinco. Dessas cinco empresas, três são novas. Criámos a Empresa Municipal de Transporte de Boane, da Manhiça e de Namaacha.”

O PCA explica que todas estas e outras realizações mostram o crescimento que também está a abranger Matutuine, que, por sua vez, já tem uma nova cooperativa. Ainda sobre o impacto do projecto, na Katembe, existe uma empresa que está a operar na área de transporte.

Licenciamento de carros pequenos será em Setembro

Para o PCA desta empresa, o que era possível fazer já foi feito, mas concorda que há zonas de difícil acesso e estão a planear algumas acções, de forma a melhorar. “Estamos a planear algumas acções para o ano 2020, que passam por colocar carros mais pequenos, mais versáteis, que conseguem manobrar melhor, para ir a outras zonas, mesmo ao nível do país, embora a minha preocupação agora seja a área metropolitana”, projectou.

Sendo assim, para alcançar o preconizado, a empresa tem a intenção de comprar novos carros, para suprir o défice existente. São essas viaturas que vão ser licenciadas para poder operar.

“Nesse momento, temos um défice de 400 minibuses, estamos  a pensar em ir buscar esses carros, legalizar, porque eles têm um papel a desempenhar e não são inúteis. Estamos agora a tratar disso com os municípios, e em Setembro, vamos começar a licenciar. Queremos licenciar 400 minibuses, que pertençam à rede estrutural, e colocá-los como um sector formal, onde eles participam também no transporte público”, explicou, para de seguida avançar que o sistema do bilhete electrónico entrará em funcionamento a partir do próximo mês de Novembro.

Para o efeito, “o Tribunal Administrativo já deu visto ao projecto e brevemente vamos começar a discutir a implementação do sistema do bilhete electrónico, sendo que a implantação da primeira fase deste mesmo projecto irá decorrer até Maio do próximo ano.

 “Quando isto acontecer, todos estes carros vão ser chamados para estar integrados no sistema de base de dados electrónico, onde o passageiro, com um cartão, viaja ao longo da rede, em diferentes modos de transporte: comboio, barco, autocarro, minibus”.

Este sistema não terá problemas e os custos, por mais estranho que pareça, poderão ser baixos, conforme disse e perspectiva o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Metropolitana de Maputo, António Matos.

Mais  Destaques

Scroll to top
Skip to content