Visita do PR a Niassa: Jornalistas obrigados a dormir no autocarro e custear despesas com dinheiro do seu bolso

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi vai efectuar uma visita de dois dias à província de Niassa a partir da próxima sexta-feira. Entretanto, jornalistas de órgãos públicos e privados baseados naquele ponto do país, foram informados na tarde de hoje que o governo provincial não tem condições para garantir a alimentação e hospedagem das equipas de reportagem nos distritos. Sendo assim, os jornalistas serão obrigados a custar estas despesas com dinheiro do seu próprio bolso e deverão passar as noites no autocarro que os irá transportar.

O Governo provincial através da delegação do Instituto de Comunicação Social (ICS) convidou os jornalistas esta Quarta-feira para uma reunião de planificação, onde revelou que devido a falta de dinheiro aquela instituição, que geralmente garante a logística dos profissionais da comunicação durante as visitas presidenciais, não irá responsabilizar-se pelas despesas dos repórteres de órgãos públicos e privados escalados para aquele trabalho

Segundo alguns colegas baseados em Lichinga, que preferiram falar no anonimato, o representante do ICS terá dito, na ocasião, para cada um desenrascar-se e que o governo garantia somente um machibombo. Não se responsabiliza pela alimentação e hospedagem, pelo que os jornalistas deviam preparar-se para dormir no autocarro durante os dois dias da visita.

Naquele ponto do País para além de Lichinga, o chefe do Estado vai visitar os distritos de Cuamba, Chimbonila e Nipepe, este último que dista há mais de 577 quilómetros, sendo praticamente nula a possibilidade de ir e voltar a Lichinga no mesmo dia.

A justificação é que não há dinheiro porque o governo central ainda não disponibilizou a verba para o efeito.

“Nós não vamos tirar dinheiro do bolso para arcar com a visita presidencial. Cabe a eles criarem condições logísticas para garantir uma cobertura integral da visita. Não faz sentido que tenhamos que dormir no autocarro”, disse um dos jornalistas, mostrando-se agastado com a situação.

Um outro jornalista contou ao Dossiers & Factos que muitos colegas, sobretudo de órgãos privados, estão a ponderar a possibilidade de boicotarem a cobertura do evento.

É que, enquanto os outros serão obrigados a empurar-se dentro de um autocarro que servirá de quarto colectivo, alegadamente por falta de dinheiro, o mesmo governo que sentenciou-os a aquele sofrimento vai disponibilizar duas viaturas para transportar as equipas de reportagem da Televisão de Moçambique, o que gera um clima de descontentamento dos jornalistas dos outros órgãos.

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