Vítimas do Idai na cidade da Beira serão reassentadas em Savane

 

As 773 famílias vítimas do ciclone Idai, na cidade da Beira, actualmente albergadas nos centros de acomodação transitórios de Peacok, Samora Machel e São Pedro, serão reassentadas no posto administrativo de Savane, no distrito do Dondo, em Sofala. A informação foi revelada pelo delegado do INGC naquela parcela do país,  Paulo Tomás, o qual fez saber que dos 114 centros de acomodação criados, após a ocorrência da tempestade, a província conta neste momento com apenas 10 activos, sendo três na Beira e os restantes sete no Búzi.

Texto: Aristides Mbofana

“Paulatinamente, a situação tende a voltar à normalidade. Neste momento, o pensamento do INGC está virado para o processo de reassentamento, pois pretendemos que as pessoas voltem a levar a sua vida na normalidade. Estamos já a trabalhar nesse processo”, disse Paulo Tomás, explicando que depois da atribuição de talhões no Búzi foi identificado o posto administrativo de Savane, no Dondo, para acolher as vítimas da cidade da Beira.

A fonte afirmou tratar-se de 773 famílias, o correspondente a 2.537 pessoas, que deverão receber os talhões, kits de alimentos para os primeiros quinze dias, tendas para abrigo e insumos agrícolas.

Neste momento o trabalho incide no parcelamento dos talhões para as primeiras 50 famílias, bem como a abertura de furos de abastecimento de água e construção de latrinas melhoradas, assim como a criação de condições de saneamento do meio. A transferência das famílias será feita de forma faseada, mercê da criação das condições acima referidas.

Entretanto, o nosso interlocutor fez saber que ao todo já foram distribuídos 4.884 talhões, dos quais perto de 70 porcento estão já a ser ocupados.

“O grande desafio que temos neste momento é acelerar este processo de reassentamento na Beira. Os três centros de acomodação na cidade da Beira são os mais numerosos. Temos no Búzi 2.114 famílias. Nos dez centros existem neste momento 2.887 famílias, o correspondente a 13.267 pessoas”, disse Tomás.

Entretanto, o delegado do INGC em Sofala debruçou-se sobre a problemática da distribuição de ajuda alimentar pós-ciclone Idai, tendo afirmado que a primazia pelas pessoas vulneráveis alistadas no INAS para a distribuição de víveres na Beira foi comunicada aos secretários de bairro, os quais foram igualmente incumbidos a tarefa de difundir a informação à população.

“Os tumultos em relação à distribuição de ajuda alimentar pós-Idai ocorrem somente na cidade da Beira, mas noutros distritos de Sofala o mesmo já não acontece. Havia grupos que defendiam que a ajuda alimentar devia ser para todos os afectados pelo ciclone, mas o INGC não tinha e não tem esta capacidade. O stock que existe não é suficiente para abastecer e canalizar a todos os afectados na cidade da Beira”, esclareceu Tomás, anotando ter sido  definido um critério de distribuir os víveres apenas para as pessoas vulneráveis, cujo banco de dados está sob responsabilidade do INAS.

“Estas pessoas já são vulneráveis, e associado ao ciclone, a sua situação piorou ainda mais, daí ter sido priorizado este estrato social, no entanto, nos diversos centros de distribuição de comida aparecem muitas pessoas que não fazem parte do banco de dados do INAS, alegando terem sido alistadas pelas autoridades administrativas dos bairros e que era suposto que os seus nomes constassem das listas”, explicou a fonte.

Quanto a intenção do Município da Beira de interditar a distribuição de víveres, o delegado do INGC disse ter recebido um ofício manifestando tal intenção, mas “o INGC julga que é uma decisão infeliz, porque há muita gente vulnerável que ainda precisa de ajuda. Portanto, ainda estamos a estudar o ofício”, garantiu.

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