Xintavana: a história de um filho gay (17)

Por: Mateus Licusse

– Afinal?! Não soube disso, mas fiquei perplexo naquele dia, agora, a família do tal Rob, o seu namorado, te recebeu da melhor forma? Questionou o primo.

 

– Claro, apesar de uma e outra coisa, embora que ainda não tive um encontro sério para conhecer melhor a eles, pois são pessoas muito ocupadíssimas e conservadoras. Respondeu Cleya.

 

– Pois é. Afirmaste que a família do seu namorado te recebeu bem, apesar de “uma e outra coisa”, qual é essa uma e outra coisa?

 

– Tem uma irmã dele que parece não me olhar com bons olhos, é meio cínica e, às vezes, tem me rejeitado quando lhe cumprimento, fingindo que não ouviu, contudo, acredito que ela irá entender como sou, assim que também desejo e sonho em ver meu pai aceitar me como sou, que até teve a tamanha coragem de afirmar que o berço em que eu dormia na infância, já não pode servir para a minha irmã recém-nascida, alegando que pode carregar o espírito de homossexualidade.

 

– Ele disse isso?

 

– Disse e de viva-voz, mas já não estou com rancor de ninguém, porque sempre confiei na fé, que um dia serei reconhecido.

 

– Com certeza, tenhamos fé que um dia vocês serão reconhecidos. Jurou o primo do Cláudio.

As conversa entre os dois terminou. Garantiram-se que continuariam a trocar impressões, sempre que necessário. Cláudio liga para o Rob vir lhe buscar de volta para casa, o primo da Cleya foi na boleia deles, tendo desembarcado mais a frente.

 

O senhor Baião convoca a família para que, definitivamente, o bebé tenha nome. Mais tarde, organizou a cerimónia e invocaram, ao bisavô, o nome de Felícia, a criança não reagiu, chamaram por Eugénia, também nada e, por fim, invocaram vovó Marlizia, o bebé reagiu. As restantes opções de nomes ficaram para trás.

 

Marlizia é bisavó da avó do senhor Baião e, por coincidência, é o mesmo nome que Cláudio havia colocado na lista de escolhas. Que genialidade do Cláudio! O pai ficou boquiaberto, mas tinha de acolher. Realizaram a cerimónia e, tempo mais tarde, a criança passou a dormir no novo berçário. O antigo foi levado pelo pai à incineração. Quanta imbecilidade, assim possa se afirmar.

 

A dona Felismina liga para sua amiga dona Lizete:

 

– Hiii, comadre, “a kukala”, como somes. Afirmou ela.

 

– “Nikone, comadre”. Estou, comadre. Respondeu a dona Lizete.

 

– Comadre, tua sobrinha já nasceu, é menina

 

– Parabéns, comadre, domingo venho lhe ver.

 

– Ok, comadre.

 

A babá da dona Felismina, pela sua beleza extravagante, deixa Jerson louco. Eis que ele parte para a conquista. Usando da estratégia de paquera, antes de sair para mais uma partida de basquetebol, ele deixa um bilhetinho no seu quarto, concretamente na cabeceira, com os dizeres: “Olá Sheila, gosto de ti, mas muito mesmo. Beijos”. A Sheila, ao entrar para o quarto do Jerson, para os devidos efeitos de limpeza, depara-se com seu nome escrito naquele pedaço de papel, tendo ficado pasma por alguns segundos, contudo, deixou-o no mesmo sítio e continuou com seu trabalho, e na normalidade.

 

Mais tarde, o Jerson regressa do habitual jogo, porém não encontrou alguma evidência de que o bilhete foi respondido, a não ser o seu quarto que fora deixado limpo.

 

Na tarde do domingo, a dona Lizete vem visitar a Marlizia, ela trouxe um enxoval constituído por fraldas descartáveis, biberão e algumas roupinhas típicas. 

 

Ao longo da conversa, a dona Lizete ia perguntando sobre o rumo das coisas e da situação do Cláudio, concretamente, e se as cerimónias feitas pela pastora surtiram algum efeito ou não.

– Comadre Lizete, a história é longa, antes de eu contar muitas coisa, anteontem, o pai do Cláudio queimou o berçário que Cleya usava quando bebé, alegando que traria, de novo, o mau espírito de homossexualidade nesta casa.

 

A dona Lizete ficou pasma.

 

Importa frisar que Jerson continua tentando conquistar o coração da Sheila. Enquanto ela está no banho, Jerson invade a sua privacidade, ela nua, com a morna água do chuveiro a escorrer sobre o seu esculpido corpo, agarra-lhe pela mão, tenta beijar-lhe, mas sem sucesso, ela empurra-o e diz:

 

A história continua no próximo capítulo. Saberá o que a Sheila disse ao Jerson, é algo que não esperava.

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